Salve Jorge!!! Sampaoli: ame-o e deixe-o trabalhar

 

 

Max Pereira
10/03/2020 – 07h
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As reações raivosas de vários segmentos da mídia do eixo Rio/São Paulo, em relação à contratação de Jorge Sampaoli pelo Atlético, não são resultantes tão somente de um bairrismo idiota ou de um mero revanchismo clubista.

Para muitos e para mim, em particular, o receio de que a chegada do argentino desperte de vez o gigante adormecido está na raiz dessa reação. O Atlético é um elefante que não sabe a força que tem.

Não atleticanos de várias partes do país e do exterior sempre reconheceram a força e a paixão ímpar da massa atleticana e a sua capacidade de até reverter resultados tidos como impossíveis de serem modificados.

O “Eu acredito” nunca foi fruto do acaso e, sim, um insight natural, talvez imperceptível como tal para muitos, mas seguramente resultante da força da paixão galista, ainda que inconsciente para grande parcela da massa que, de há muito, já aterrorizava os adversários.

Como o Atlético incomoda. Impressionante. O medo de que o gigante alvinegro desperte de vez e engula a todos faz os inimigos apelarem para todo o tipo de artimanhas.

Um episódio emblemático, que teve palco em um jogo contra o Flamengo no Mineirão por um Brasileirão que já vai distante, exemplifica o que a força e a paixão do atleticano é capaz de fazer acontecer.

E Procópio Cardoso Neto, um dos mais emblemáticos treinadores da história do Atlético, e também um de seus mais viscerais zagueiros, que conhecia e conhece a massa como ninguém, protagonizou uma das cenas mais antológicas que o Mineirão e, milhões de torcedores que acompanhavam pela televisão, já viram.

15, 20 minutos da etapa complementar, o Flamengo, que havia empatado o jogo logo no reinício do segundo tempo, se agigantava, enquanto o Atlético, acuado, perdia força e ficava cada vez mais a mercê do adversário.

A virada era questão de tempo. Procópio, então, lançou mão da mais temível arma que um treinador poderia dispor: a massa atleticana.

Pegou uma camisa preto e branca e pôs-se na beirada do gramado a pular e a brandir freneticamente o manto sagrado.

E, sob o comando do grande capitão, a massa começou a repetir o seu gesto. As estruturas do Mineirão balançaram e o rubro-negro tremeu.

Os jogadores atleticanos tirando uma força, até então insuspeita, que nem eles mesmos sabiam que existia, foram para cima do rival carioca que, atarantado e inapelavelmente batido, viu o garoto Cairo fazer o gol da vitória.

Mostrando uma vitalidade que só a paixão alvinegra explica e alimenta, Procópio continuou, até o fim do jogo, pulando e brandindo a camisa alvinegra, comandando o mais poderoso exército que já marchou nas arquibancadas de um estádio de futebol.

Quando soou o apito final, o treinador das arrancadas, como era chamado, ajoelhou-se e, em prantos, agradeceu aos céus aquela vitória conquistada na paixão, no amor e na força de uma torcida sem igual, como recentemente o também ex-técnico do Atlético Paulo Autuori e o ex-jogador Pedrinho reconheceram em entrevista ao jornalista Rica Perrone. João Guilherme, excelente narrador dos canais Fox, também já deu o seu testemunho.

Sobre a chegada de Sampaoli, Procópio assim se manifestou em seu Twitter:

“Sampaoli será recebido de braços abertos e terá todas condições de conquistar o que não conseguiu na Espanha, Argentina e no Santos. O Galo é diferente de tudo que o argentino já comandou. É o maior desafio de sua carreira. Só quem já treinou o Atlético sabe o que estou falando.”

Espero que essas palavras sejam abençoadas pelos deuses do futebol. Quem conhece, experimentou e vivenciou essa paixão alvinegra sabe o que fala. A massa só tem a dizer “muito obrigado” a quem, dentro e fora de campo, fez o que fez.

Quantas e quantas vezes adversários exaltaram a massa atleticana e disseram, com todas letras, que foram derrotados por ela?

Atlético e massa são um só. Se o gigante acordar e souber aquilatar e explorar a força que tem, o Atlético se converterá de uma vez por todas em um time do mundo, vencedor e campeão como poucos.

E isso aterroriza a gregos e troianos. Essa perspectiva assusta e é razão, não única, claro, mas seguramente uma das mais importantes, não só dessa raiva incontrolada de várias vozes da mídia do eixo, mas, também, dos ataques e prejuízos históricos que o Galo sofre há anos.

E aqui é bom lembrar que essa raiva sempre foi, por inúmeras vezes, também detectada e visível em falas e em opiniões de diversos segmentos da imprensa mineira.

Mas isso não esgota a discussão sobre a contratação de Sampaoli e as reações controversas que esse fato provocou.

É forçoso não esquecer o que representa, e transforma na realidade do clube, a chegada do treinador argentino, à luz da delicada situação financeira do Atlético e do fato de que o Galo vem, ao longo dos tempos, sendo conduzido de forma desastrosa e submetido a um modelo de gestão e trato do futebol ultrapassados.

Esse diagnóstico inviabiliza grandes investimentos e contratações de ponta como a de Sampaoli? Não, se tudo for feito com planejamento, parcimônia e responsabilidade. E essa é a questão que deve ser considerada, monitorada, vigiada, cobrada e debatida pelo atleticano sem entrar nas armadilhas da mídia boquirrota e nas teses ensandecidas que normalmente pululam nas redes sociais.

Nesse cenário de caos administrativo e de debilidade financeira, claro que a contratação de Sampaoli é um negócio de risco que, tanto pode ser o início da redenção do clube, como o pontapé inicial e definitivo de um fim trágico e irreversível. Cabe ao atleticano, além de exercitar a paciência e não atropelar o trabalho do argentino, vigiar e cobrar com responsabilidade.

À diretoria, por seu turno, cabe conduzir o clube daqui pra frente com senso profissional, responsabilidade, racionalidade e proficiência. Nada de tomar atitudes de afogadilho, seja ao sabor de críticas mal intencionadas, seja no ritmo das explosões emocionais e tresloucadas da massa, seja nas elucubrações bipolares, tão frequentes nas redes sociais.

Espera-se dos investidores, por outro lado, equilíbrio e ética em relação aos compromissos assumidos com o clube, de forma que o justo e esperado retorno não torne o Atlético inviável. Ninguém espera almoço grátis. Há um preço em tudo. Mas espera-se, nesse caso, respeito e cuidado com o Atlético.

Confesso que o meu lado de torcedor apaixonado gostou muito da contratação de Sampaoli, enquanto o meu lado racional vem detestando esse início de temporada e me colocando com os dois pés atrás em relação ao que pode acontecer com o Atlético daqui pra frente. Bora acreditar e vigiar.

Sampaoli tem gênio forte. Geralmente peita a imprensa e não se submete a caprichos de dirigentes, de torcedores e de jornalistas. Quem o vê à frente do banco das equipes que comanda, imediatamente associa a sua figura a de um leão enjaulado, andando de um lado para o outro, focado no que acontece dentro de campo, obsessivo quanto ao resultado e ao sucesso de seu modelo de jogo, frenético e passional.

E não há dúvida alguma de que o visceral treinador argentino irá exigir de Sette Câmara, da cúpula atleticana, dos atletas e dos funcionários do clube, tato e habilidade no convívio diário, absolutamente incomuns no dia a dia do clube. Estarão os homens do Atlético, sejam quais forem as suas funções e o nível de poder e decisão que ocupam, preparados para conviver com um técnico do nível e das características de Sampaoli?

A chegada de Sampaoli pode representar mudanças muito maiores que apenas a esperada melhoria no desempenho do time. Para o bem ou para o mal.

Qualquer torcedor minimamente consciente deve questionar mesmo essa contratação que, de fato, já mudou o Atlético de patamar e de rota, embora ainda seja muito cedo para se afirmar com certeza qual será esse caminho que o Glorioso certamente irá percorrer.

Gente, Sampaoli não vem sozinho. Que vai haver contratações importantes e outras mexidas no elenco (saídas) é induvidoso. Sampaoli é genioso. Mas, se Sette Câmara e o clube como um todo estão preparados para lidar com ele e com esse novo Atlético que se desenha, é que são elas.

Espera-se que a diretoria do Atlético não esteja, por razões meramente eleitoreiras, enfiando os pés pelas mãos. A falta de transparência é, há tempos, uma marca do Atlético. Preocupante? Sim.

“Ah tem investidores”, responderão alguns torcedores como se fosse um supertrunfo, citando MRV e BMG, sem, entretanto, fazer questionamentos do tipo: qual é o modelo desse “pacote” que promete revolucionar o futebol do Galo? Qual é a compensação que o clube dará em troca?

Questionado, o Atlético até agora não deu nenhuma explicação. Se é empréstimo, compromete. Vincular a jogador não pode. Usará renda futura de estádio? Os 49,9 % restantes do shopping foram comprometidos?

Em meio a tantos disse e me disse e a tantas interrogações, uma voz destacou-se no Twitter, dizendo o seguinte:

“A palavra ‘Investidor’ automaticamente significa que há contrapartida. Se não houver contrapartida é doação, não investimento. Dos 700 milhões que o Galo deve, 420 milhões são para empresários/bancos que, hora ou outra, foram ‘investidores’ no clube. Tem que ter transparência sim.”

Nesse sentido, o jornalista Rodrigo Capelo assina uma matéria em que faz diversas ponderações que certamente não iriam cair, como de fato não caíram, no agrado de grande parcela da massa.

Particularmente, entendo que vale a pena ler essa matéria, acessar o vídeo anexo a ela e, principalmente, refletir para embasar uma vigilância sensata e acurada e também uma cobrança responsável. Que muita gente ”boa” está com dor de cotovelo é fato. Mas que as finanças do Galo merecem muita atenção, reflexão e muitos cuidados também é. ‬

Muitos torcedores, como era de se esperar, estão agindo com a emoção em ralado à matéria do Rodrigo.

É preciso abrir a mente e fazer os questionamentos corretos quanto às ações de nossa diretoria que, respeitadas as cláusulas de confidencialidade normais em qualquer contrato, e preservadas as informações estratégicas, sob o risco de inviabilizar as ações e os negócios clube, deveria transparecer credibilidade.

Aqui repito um post que me chamou a atenção:

“É muito raso dizer ‘aqui não é Cruzeiro, o dinheiro é de investidor’. Pensem nisso!”

Por outro lado, o atleticano Roberto Gallo, como sempre, ponderado e lúcido, sacou o seguinte em sua rede social:

“Ponderar possíveis problemas do Sampaoli no Galo, tipo relacionamento com presidente, saída prematura? Ok. Isso é jornalismo.

O que não é jornalismo é essa histeria babaca e terrorista de que vai virar um time com dívida de 1 bi sem patrimônio por pagar 8M anuais pra técnico.”

E ele tocou no ponto nevrálgico. Uma coisa é cobrar e debater com senso e responsabilidade as coisas do Atlético, outra coisa é embarcar nessas ondas alucinógenas que visam, tão somente, provocar que o comando atleticano continue tomando medidas temerárias e adotando soluções açodadas, sucumbindo, como sempre, às pressões fabricadas e infladas por que sempre quer e aposta no pior para o clube.

Questionar é fundamental. E a imprensa livre deve exercer esse papel. Mas o clube e os atleticanos devem estar sempre preparados, pois a guerra de informação continuará e, certamente, nada há que se possa fazer para evitá-la.

Vão continuar inventando muitos nomes de jogadores para o Atlético. Vão continuar sacando isso e aquilo. Muitos vão continuar usando o Galo para ganhar clicks e seguidores ou ainda para ficarem famosos.

Mas, muito se pode fazer para minimizar o efeito corrosivo dessas práticas. Gente, essa massa que muitas vezes endeusa estes “formadores” de opinião, pode também derrubá-los.

Todo cuidado é pouco com o que vai ser colocado na mídia daqui em diante. CUIDADO COM AS FAKE NEWS.

Até mesmo as matérias alvissareiras que já começam a ser publicadas aqui e ali, buscando, em princípio, inibir o alarmismo que tomou conta de parcela significativa da torcida, devem ser lidas e analisadas com reservas. Tudo em nome da verdade e do equilíbrio do clube.

E não se espantem se, até mesmo dentro do Atlético, surgir gente com orgulho ferido pelas mexidas que foram e ainda deverão ser feitas.

Gente, por exemplo, que queria ser ou se sentir protagonista e que se percebe esquecida, escanteada. Somos todos humanos e falhos.

E, se isso acontecer, o que não seria inédito na história do clube, esse tipo de gente poderá ser fonte potencial e inesgotável de ondas e desinformações.

Sim, e vale repisar sempre, preocupa o fato de que no balanço estava prevista receita com premiações nas competições nas quais o Atlético já foi eliminado.

O orçamento inicial já foi comprometido e não mais é possível atingir as metas nele definidas. Mas, sempre tem o outro lado.

Sempre há como administrar e minimizar isso. Esse é o desafio do Atlético e o que se espera de Sette Câmara e de seus pares.

Certamente não será afundando o clube na mediocridade o resto da temporada que estaremos contribuindo para sanar as contas do Atlético e nem para formar um time minimamente confiável e competitivo.

Se questionar a direção do Atlético com parcimônia e responsabilidade é práxis que deve se tornar corriqueira e natural no seio da massa, esclarecer os seus atos e decisões deve ser norma de conduta para o comando atleticano.

Já que o Atlético indica que novos ventos estão soprando pelos lados de Lourdes, por que não fazer esclarecimentos sobre a fonte dos investimentos, a mudança de perfil da gestão e a contrapartida que os investidores querem do clube?

Mais do que isso, é ESPECULAÇÃO de analista de rede social, de torcedor e de jornalista.

E, em meio a tudo isso, para a alegria de muitos e a raiva de outros tantos, Sampaoli é oficialmente o novo treinador do Atlético. Mas, será que ele vale toda essa expectativa? Particularmente, acho que sim.

Sampaoli é potencial de marketing inestimável para o Atlético, que não pode repetir o erro cometido quando Ronaldinho Gaúcho por aqui passou. Ter sob contrato o maior fenômeno mercadológico (marketing) do futebol das últimas décadas (R10) e não explorar esse potencial, não associá-lo à sua marca, foram erros de gestão imperdoáveis.

Sampaoli é hoje o treinador de maior grife e melhor currículo em atividade no futebol brasileiro, mais até que os portugueses Jorge Jesus e Jesualdo Ferreira. E sua contratação coloca o Atlético nos trends topics das redes sociais e torna o Galo assunto obrigatório na grande mídia e também fora do país.

Um alerta: não caiam nessa de “brigar com o Flamengo” ou coisa do tipo. Criar expectativas assim é prejudicial. O treinador chega para colocar ordem na casa, montar time e treinar. Conseguindo fazer isso e tendo sequência já estará valendo muito. O que possa vir além será apenas consequência disso.

E pode vir muita coisa boa se todos nós atleticanos (diretoria, conselheiros e torcedores), cada qual em sua esfera de poder, atuação e influência, nos unirmos para proteger o Atlético e evitar que o trabalho do argentino sofra qualquer solução de continuidade, seja boicotado e que o ambiente interno seja corrompido.

Sampaoli tem o direito de ter a orientação política de seu agrado. Para o bem do Atlético esse detalhe não deve interferir no trabalho do treinador e, nem tampouco, suscitar cobranças e reações raivosas de torcedores que pensam politicamente diferente.

Ah! Mas o salário e as exigências de Sampaoli vão na contramão do discurso de Sette Câmara e, por isso, a contratação do treinador pode causar prejuízo financeiro ao clube. Gente, depende de como o processo e o trabalho do argentino forem conduzidos.

O vem não vem sobre a chegada do treinador já passou e também desapareceram os medos de quem temeu pelo fracasso da negociação.

Também a especulação de que viria um diretor que teria como missão enquadrar o argentino já é coisa passada. O Atlético não precisa contratar ninguém para dar dura no Sampaoli. O Atlético tem que buscar quem tem condições de agregar e se somar ao trabalho do argentino.

O ano eleitoral no Galo promete ser bastante tumultuado nos bastidores. Esse pedido de demissão feito pelo Felipe Kalil depois de, teoricamente, saber que o Ricardo Guimarães pediu sua “cabeça” no cargo, indica que o momento político do clube está em ebulição e que, de fato, deve haver um racha no grupo de sustentação do atual presidente, o que, já há algum tempo, os interiores do clube vêm sugerindo.

São coisas recorrentes na política do Atlético, quase sempre não dadas a conhecer para a torcida.

Se você não quer que a política do clube, assim como as ações vampirescos de agentes externos prejudiquem o Atlético, fique vigilante, ativo e busque sempre checar, confrontar e analisar a fundo todas as notícias e opiniões que receber para poder agir e cobrar de forma realmente efetiva.

Se você quer que mais de 500 milhões em dívidas sejam pagas, que o Atlético tenha um elenco equilibrado e um time forte, um estádio rentável, que o restante do shopping não seja vendido e que o Galo ganhe títulos todos os anos, você tem que exigir reforços com planejamento, gestão profissional e moderna, novos métodos e concepções de governança, austeridade com ousadia, além de se disponibilizar a participar, de acordo com as suas possibilidades, do programa sócio torcedor, tornando-se mais uma voz com direito de falar e ser ouvido.

Ah! Rescindir contrato de metade do time só porque a emoção e a raiva estão ditando, obviamente não é a atitude mais profícua e racional que você deve desposar e, óbvio, sugerir.

Salve Jorge!!! Deixemos Sampaoli trabalhar.