Coluna Preto no Branco: Poucas e boas. Vozes do confinamento. Enquanto isso... - FalaGalo

Coluna Preto no Branco: Poucas e boas. Vozes do confinamento. Enquanto isso…

 

 

Por: Max Pereira 
08/05/2020 – 14h40
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Sempre, ao acordar, manhã sim, a outra também e, como vem acontecendo desde que me isolei com a minha mulher, a minha mente já se vê assaltada por uma série de pensamentos, hoje rotineiros e companheiros compulsórios: ansiedade, quarentena, lockdown, pandemia, máscara, álcool gel, lavar as mãos… Estamos vivendo um loop infinito. Os dias parecem se repetir e nem nos damos conta mais de que este ou aquele dia era ou foi um feriado.

Com o noticiário esportivo não é diferente, ainda que esta ou aquela notícia venha com uma roupagem diferente, nada mais que uma maquiagem rasa. Os jornais televisivos, as lives, os programas de rádio em geral, parecem uma vitrola quebrada, repetindo quase sempre a mesma nota, a mesma estrofe de uma canção batida. No máximo, um arranjo diferente.

Enquanto isso …

Ah! O Atlético quis cortar 50% de salários durante pandemia, mas grupo recusou. Novidade? Será? Vejamos:

Quando a diretoria do Atlético informou ter cortado 25% dos salários de jogadores e funcionários que ganhavam acima de R$ 5.000,00, houve especulação de que parte do elenco não teria ficado satisfeita. Aguçando ainda mais a nossa memória, lembramos que o presidente Sette Câmara chegou a declarar que “quem não estivesse satisfeito, que deixasse o clube”. Era sinal de que a decisão da diretoria tinha causado ruídos na relação do comando com pelo menos parte dos atletas.

Alexandre Mattos, na época recém chegado ao clube, usou sua experiência e apagou aquele início de incêndio.

Essa noticia de uma recusa dos jogadores em relação ao corte de 50% apenas requenta, com nova roupagem, a “informação” de que a medida adotada pela diretoria teria, de fato, gerado insatisfação dentro do elenco e conspurcado o ambiente.

Pelo menos é o que dá a entender a exploração que está sendo feita pela mídia convencional e nas redes sociais, da entrevista do meia Marquinhos, na qual o jovem atleta apenas revela que houve conversa e acerto entre o elenco e a diretoria sobre o corte, quando as partes chegaram a um entendimento.

E as reações de muitos torcedores indicam que quem quiz jogar a massa contra os jogadores conseguiu o seu intento: “Se isso for verdade é uma vergonha, principalmente ser uma decisão do Victor e do Réver. Uma facada no @Atletico nesse momento delicado. Todos estão abrindo mão de muitas coisas. Para quem ganha 500 mil por mês, ganhar 250 não séria horrível”.

Mas, quem disse que foi uma decisão imposta ao grupo pelo Réver e pelo Victor? Marquinhos deixou claro que uma decisão de grupo. Como líderes, o que Victor e Rever fizeram, como claramente informa a matéria de alguns jornais, foi levar à diretoria a posição de consenso do grupo.

Ah! Mas, “os líderes não deveriam compactuar com isso. Se tivessem o mínimo de vergonha na cara, eles é que tinham que chegar no clube e abrir mão do salário. Até para ajudar o clube a pagar os que recebem menos”, esbravejou outro atleticano.

Poderiam sim, tomar individualmente essa atitude. Seria prudente e inteligente. Tenho minhas dúvidas. O certo é que eles não podem ser recriminados por serem porta -vozes da decisão tomada pelo grupo. E também não poderiam, nessa condição, dizer nada diferente para o comando. Há que se considerar também que qualquer atitude isolada diferente daquela decidida pelo grupo poderia implodir o ambiente. E Rever e Victor, experientes e macacos velhos, sabem disso.

Enquanto isso …

Vou de live em live. “Live” pratos, “live” banheiros, “live” roupa, “live” as mãos, claro (rs, rs, rs).

Enquanto isso…

E não é que Cazares aprontou de novo? Ah! Desculpem. Otero também. Ih! Borrero também? “Rua nos três”, já sentenciou um galista indignado.

“Borrero não”, reagiu outro. “Dylan vai render dinheiro ao Galo ainda… os outros 2 não precisam ficar mais… na verdade Dylan precisa se livrar das más influencias… ainda é mto novo, cabeça fraca… 18 anos a gente só faz m**.”

“Em relação ao Dylan concordo plenamente, quem nunca fez m** na juventude, mas mandar embora é trabalho de preguiçoso, tem que resolver internamente”, alerta mais um torcedor mais moderado.

Que o clube tem que tratar está questão internamente me parece absolutamente induvidoso. Mas o presidente parece pensar diferente.

‘Devem ser cobrados pela sociedade’, diz Sette Câmara sobre Cazares e Otero.

Inicialmente e via assessoria, o Atlético se pronunciou sobre Cazares e Otero: “A recomendação passada pelo Departamento Médico do clube foi para ficarem em casa. Ambos serão orientados novamente e se submeterão aos testes antes da volta aos treinos, que continuam sem data estabelecida”.

Horas depois surge a informação de que o clube não irá aplicar punições a Juan Cazares e a Rómulo Otero, por terem furado o isolamento em meio à pandemia do novo coronavírus para jogar uma ‘pelada’ ao lado de amigos em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte.

É que a diretoria se vê impossibilitada de submetê-los a qualquer sanção por causa do adiantamento de feriados. Após as férias, encerradas há sete dias, o clube antecipou dias de descanso — 7/9, 2/11 e 15/11 — dos atletas. E a dupla, portanto, não estava em um dia de trabalho e poderia se dedicar a outras atividades.

Decisão acertada, vez que existiram implicações jurídicas graves para o Atlético se o clube os punisse nessas condições. Ainda assim, é criticável o quanto o clube falha sistematicamente ao não cumprir o seu papel de educador em relação aos seus jovens atletas. Cazares chegou ao clube ainda bem garoto e nunca foi cuidado como devia.

Em razão da aventura dos craques atleticanos adivinhem quem o foi o assunto do momento nas trending topics do Brasil: Cazares, lógico.

Mas gente, Otero e Dylan não estavam na mesma pelada? Mas por que, então, o atleticano só se lembra do Cazares? Por que será né??!?!?

Será porque Otero e Borrero não têm o mesmo histórico de indisciplina? Não, não creio que isso seja o principal catalisador das críticas ácidas dirigidas ao equatoriano. Na verdade, o diferencial entre os peladeiros é que Dylan e Otero não têm o mesmo histórico de perseguição da imprensa e nas redes sociais que Cazares.

 

Uma chuva de posts invadiu as diversas plataformas digitais:

“Otero Cazares e Dylan na pelada. Baita exemplo para o grupo de jogadores”.

“Se jogadores de outros clubes estão fazendo o mesmo pq ninguém fala nada e só tem babaca filmando atletas do Galo fazendo m**?”

“Enquanto isso a execução das dívidas do lado azul da lagoa continua acontecendo, mas a imprensa não lembra disso… A imprensa sabe que, se quise vender jornal ou ganhar cliques, tem de falar do Galo”.

“Povo reclamando de Cazares, mas tá indo p bar, correndo na rua, reunindo c amigos…hipocrisia q é o nome, né?! E a fala n é uma defesa ao atleta, é p esfregar na cara mesmo dos falsos moralistas! Revejam as suas atitudes tb!”

“Cazares joga de mais! Mas Quando quer ! Ele é craque mas não quer ficar no @Atletico !!!!! Então vida que segue e Cazares segue sua vida ! o #galo é muito maior do qualquer jogador !”

E não é que já estão requentando nos bastidores a velha, surrada é ridícula “notícia” de que o meia Araos estaria na lista de pedidos do técnico Jorge Sampaoli e que em São Paulo teria surgido a informação que o Corinthians aceitaria uma troca por Cazares.

Se divertindo com a idiotia do ódio de muitos atleticanos, um torcedor palmeirense faz uma provocação debochada e cheia de ironia no Twitter:

“Manda embora, o novo endereço do Cazares é na rua Palestra Itália, aqui ele vai ficar moderado kkkk Vem Cazares, vem arrumar esse meu meio campo sofrível!”

Enquanto Cazares é atirado ao olho do furacão, Galo e prefeita de Vespasiano marcam reunião para avaliar volta dos treinos no CT. Confirmado pelo clube e pela prefeitura, encontro deve ocorrer nos próximos dias.

Segundo reza a lenda, a iniciativa partiu do Atlético que procurou diretamente a prefeita do município de Vespasiano, Ilce Rocha, para consultar a possibilidade de retomar as atividades na Cidade do Galo. O centro de treinamentos do clube está localizado naquela cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, e por isso seria necessário o aval da prefeitura local.

Será que apenas Cazares, Otero e Dylan, os peladeiros irresponsáveis, representam risco de contaminação do coronavírus para o restante do grupo? Sem deixar de reconhecer que os três erraram e devem ser cobrados e orientados com firmeza, o clube não estaria, premido pelas dificuldades financeiras, fortemente agravadas pela pandemia, forçando a barra e também colocando em risco elenco e funcionários da Cidade do Galo? O Atlético já teria contratado testes PARA TODO O GRUPO DE JOGADORES E FUNCIONÁRIOS DO CT ou já os teria testado, como outros clubes já vem fazendo? Quais são os protocolos que orientarão a retomada das atividades na Cidade do Galo?

Enquanto isso …

Olhem o que está acontecendo em outros clubes:

Segundo o site UOL, do Grupo Folha, o Flamengo informa que três jogadores testaram positivo para COVID-19. Enquanto no Galo Cazares e Otero são expostos e massacrados, no Urubu os nomes de jogadores e funcionários contaminados são preservados. Incapacidade total de blindagem do Galo.

Ao todo, o Flamengo testou 293 pessoas e 38 testaram positivo, sendo os chamados “positivos assintomáticos”. Foram diagnosticadas 11 pessoas que já tinham tido o contato com o vírus previamente e se encontravam com anticorpos.

Foram feitos três tipos de exames em meio à pandemia do novo coronavírus: coleta nasal, verificação dos anticorpos IgM e verificação dos anticorpos IgG.

O técnico Jorge Jesus testou negativo para COVID-19. No entanto, ao menos um membro da comissão técnica foi detectado com o vírus. Pela idade do treinador português (65 anos), seu caso é alvo de debates internos, uma vez que a decisão de ter o profissional de volta ao CT Ninho do Urubu divide a diretoria.

Com 38 testes positivos para COVID-19 entre jogadores, comissão técnica, funcionários do departamento de futebol, familiares de atletas e pessoas próximas, o Flamengo seguirá monitorando e testando tais casos, além dos outros 255 já examinados.

Para isso, o clube conta com um estoque de pelo menos mais 350 exames elaborados e testes rápidos para utilização em meio à pandemia do novo coronavírus. Em parceria com uma rede das principais redes hospitalares do Rio de Janeiro, os kits foram comprados em grande quantidade e estocados em um laboratório.

Vale a pena repetir: o Flamengo testou também os familiares de seus atletas e funcionários e também pessoas que com eles convivem.

E tem mais:

Diego Souza e mais dois funcionários do Grêmio testam positivo para Covid-19.

De volta às atividades desde a última segunda-feira, o tricolor gaúcho registrou três casos de COVID-19 confirmados. Diego Souza contraiu o coronavírus e sequer se reapresentou para os trabalhos em Porto Alegre. Ele cumpre o período de isolamento social no Rio de Janeiro ao menos até a próxima semana.

Enquanto isso as notícias sobre a pandemia não são nada tranquilizadoras. Mais e mais cidades e regiões vão registrando um crescimento preocupante do número de infectados e, como muita gente não leva a sério o isolamento social, o lockdown surge como medida necessária e essencial ao enfrentamento da doença.

Município de Santa Catarina que relaxou o distanciamento e reabriu o comércio está enfrentando agora um avanço desordenado e grave da epidemia.

Quando comecei a escrever esse artigo recebi a seguinte informação oficial das autoridades em saúde no país: “Brasil registra novo recorde de mortes por coronavírus reportadas em um dia: 614. Total de vítimas chega a 8.535”.

Lembrei, então, que estes números eram dados oficiais. E os que a gente não tem conhecimento? Horas depois os registros oficiais já indicavam novo recorde trágico. Mais de seiscentos novos casos fatais.

O excelente jornalista e atleticano Mário Marra nos presenteou recentemente com a seguinte reflexão: “Se não existisse futebol, nem partido político, nem religião. Sem cores, sem preconceitos. Se precisássemos unificar os idiomas para combater um único inimigo, fracassaríamos”.

Em uma sociedade tão heterogênea e polarizada como a nossa como estancar uma pandemia desse porte? Com tantos maus exemplos, com tantos fakes e com tanta desinformação, como enfrentar esse vírus terrível?

Diante de tudo isso, a pergunta que surge naturalmente é: é mesmo chegada a hora de se retomar as atividades e estaria o Atlético realmente preparado para assumir essa responsabilidade?

Enquanto isso…

O clube rescinde com alguns jovens que integravam time de transição. Um processo de desmanche já antecipado e que está claramente em curso. Mais um projeto de futuro maltratado e jogado no lixo. Sina? Carma? Inapetência crônica? Falta de planejamento?

De qualquer maneira, tal notícia confirma o que já se sabia. O Atlético, endividado e com receita decrescente, se vê obrigado a tomar medidas drásticas para reduzir prejuízos. E aí, sem dinheiro como o clube estaria se estruturando para proteger seus jogadores e funcionários? Estaria o clube em condições de proporcionar-lhes os testes necessários?

O presidente já disse que o mundo mudou por causa da pandemia. E que seus jogadores e funcionários têm que entender isso. Mas, o próprio clube já entendeu o seu papel? E os parceiros?

Não é preciso ser vidente para perceber que aquele projeto inicialmente traçado pelo clube com os seus investidores e que propiciou as contratações já efetivadas, Jorge Sampaoli em especial, só não fará água se o Atlético realmente estiver preparado e estruturado para o pós pandemia.

Enquanto isso…

Procuro me distrair com reprises de jogos antigos do Galo. Entre vitórias memoráveis, gols históricos, títulos inesquecíveis, jogadas geniais do Rei e de R10, chutes absurdos de Éder e de Nelinho, alguns fantasmas insistem em assombrar as transmissões.

Sem chororô!!! Mas que é duro ver de novo alguns homens do apito, lá isso é.

Enquanto isso …

Descubro que “Mentiras Perigosas” é o filme mais assistido da Netflix. E não podia ser outro.

Enquanto isso…

Vou falando, vou escrevendo, vou sonhando e vou escrevendo.

 

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