VICTORia e classificação: há um santo a nos guardar

 

 

Por: Jéssica Silva 

 

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Partidas mal jogadas, resultados que não vêm, tristezas e frustrações nunca serão capazes de apartar o Galo de sua apaixonada torcida. Vez ou outra, quando já não se sabe mais o porquê de ainda estarmos lá, a essência de ser atleticano se faz presente em um jogo.

O Galo não foi bem no Chile há uma semana e trouxe uma desvantagem para casa. Considerando que o Unión La Calera tem uma equipe limitada, não haveria a real necessidade de passar tanto sufoco ontem, no Independência.

Durante o primeiro tempo, exceto em alguns momentos isolados, o Atlético não se comportou como um time que precisava de pelo menos um gol, já que pouco chegava à área do adversário por ter dificuldades em criar no meio de campo.

Já o La Calera, conhecendo suas dificuldades e o regulamento da competição, fez o jogo que queria e quase conseguiu manter sua vantagem intacta.

Ver o time atleticano jogar como se estivesse em vantagem no placar foi desesperador. Imaginar uma desclassificação para uma equipe sem tanta expressão quanto o Unión La Calera foi pior ainda.
Para os chilenos, cair na Sul-Americana frente ao Clube Atlético Mineiro seria – e foi algo super normal. Para o Galo, a desclassificação seria vexatória.

Difícil apontar alguém que não tenha esperado um Cazares pensante, proporcionando boas jogadas ao Galo e servindo quem estava lá na frente. Infelizmente, o camisa 10 nada criou e contribuiu para um primeiro tempo nada proveitoso. Esse é o problema de depender do equatoriano para ter alguma ação no meio de campo, ele joga somente quando quer, o que não é sempre.

Em suas primeiras oportunidades no Galo, Geuvânio fez boas partidas e chegou a nos dar alguma esperança. Ontem, quando poderia se aproveitar da falta de qualidade dos seus adversários em termos técnicos e ser um destaque positivo, colecionou passes errados e foi mais um que nada agregou ao time.

 

Imaginando um cenário mais tranquilo para o segundo tempo, ver o Galo inaugurar o placar seria o ideal ainda nos primeiros 45 minutos, mas com a falta de qualidade nas iniciativas atleticanas isso não foi possível e ficou tudo para a etapa complementar.

Rodrigo Santana agiu rapidamente dessa vez. Mostrando que aprende com os erros, o jovem treinador fez alterações no intervalo e deu mais ofensividade ao time trazendo Chará e Alerrandro nas vagas de Cazares e Ricardo Oliveira, respectivamente.

Alerrandro, que vem merecendo a vaga no comando do ataque alvinegro há muito tempo, entrou bem no jogo e fez jus aos pedidos da Massa.
O jovem atacante protagonizou uma bela jogada, que poderia ser o primeiro gol do Galo no jogo, mas Chará desperdiçou o presente do companheiro e nós ficamos no quase.

Não deu tempo de lamentar, já que logo depois Elias fez bela jogada individual e colocou Alerrandro na cara do gol. Felizmente, quem estava no comando do ataque era o próprio Alerrandro, já que Ricardo Oliveira, muito provavelmente, teria desperdiçado essa chance. O camisa 17 desafogou o torcedor atleticano e nos colocou na disputa da vaga novamente.

Você pode e deve concordar que em muitas oportunidades Elias não se mostra tão interessado em jogar futebol. No entanto, é inegável que o volante tem qualidade de sobra e, quando decide utilizá-la, desconstrói o plano tático de qualquer adversário. A jogada do gol evidencia o quanto o camisa 7 é diferenciado e o quanto pode agregar a um time como o nosso, que não tem tantas alternativas para se dar ao luxo de não utilizar Elias.

Após marcar o tento, o Galo melhorou na partida e buscou atacar mais. Como saiu para o jogo deixou alguns espaços para o ULC, mas os chilenos não aproveitaram, nem tiveram tanta qualidade para chegar ao gol que dificultaria a vida do Atlético.

Alerrandro ainda teve a chance de marcar o segundo gol, aquele que representaria uma classificação direta, mas perdeu e assim tudo seria decidido nos pênaltis.

Horto, competição de mata-mata, pênaltis e São Victor no gol. Tudo isso traz lembranças felizes a qualquer atleticano, mas também nos faz lembrar que vivemos dias mais difíceis atualmente.

 

Há pouco tempo, Victor vinha sendo duramente criticado, algumas críticas até com muito exagero vindas dos “donos da razão”. O arqueiro realmente não vinha em boa fase, mas nos últimos jogos mostrou que talento não se apaga e contou com o destino dos pênaltis para comprovar novamente que quem é santo nunca perde a santidade.

Os ossos do ofício nos faz ter de apontar até os mínimos erros de um jogador, por mais ídolo que ele seja. No entanto, o coração do torcedor, aquele que vive cheio de gratidão, se arrepende de cada crítica feita a aquele que é o maior goleiro da história do Atlético quando ele renova a fé dos devotos de São Victor.

Victor fez três defesas durante a disputa de pênaltis. Pegou até mais que o esperado. Uma ou duas defesas se imaginava, mas não deixar que nenhuma bola vinda do Unión La Calera passasse superou as expectativas e deu um aviso aos críticos mais duros: sejam gratos.

Fábio Santos, Luan e Léo Silva converteram suas cobranças e ajudaram a desenhar a classificação sofrida do Galo para a próxima fase da Copa Sul-Americana.

O Galo hoje nos deu bons motivos para fazer críticas. Jogar com dificuldades contra um time menor e menos qualificado e até sofrer para desbancar tal adversário não faz jus ao tamanho do Atlético.

No entanto, é preciso também saber enxergar a beleza do futebol e o que de bom ele nos traz. Isso não se trata de omissão, tampouco de descuido com aquilo que mais amamos. Ainda está claro que o Galo precisa de reforços, que a postura da equipe não vem sendo correta em momentos decisivos e que não vivemos os melhores dias da nossa história. Porém, apesar das limitações, ontem o Galo mostrou dar valor ao que pode ser a nossa única chance de salvar a temporada.

A Copa Sul-Americana deve ser priorizada, como já se sabe, trará dinheiro, prestígio pelo título e vaga direta na Libertadores do ano que vem. Considerando que se trata de mata-mata e de uma competição com adversários não tão qualificados, após a classificação o Galo deve ir forte em busca dessa conquista.

Mais tarde, o jogo entre Botafogo e Sol de América decidirá o próximo adversário da equipe atleticana. Independente de quem seja, o objetivo deve ser avançar para a próxima fase, jogando como a grande equipe que é.

Por hora, critique quando achar necessário, mas não se esqueça que você não é o dono da razão e que é válido elogiar também.

Cobre o melhor, afinal, é nosso papel e nosso direito, mas apoie antes de mais nada.

Proteste quando vir que há necessidade, mas não deixe de se cobrir com a sua bandeira, de ser grato a quem honra sua camisa e de apreciar o quanto uma vitória heroica faz bem a um apaixonado por futebol. Especialmente a um apaixonado pelo Galo, que conhece bem o sabor de uma conquista sofrida.

 

FICHA TÉCNICA:
ATLÉTICO 1 (3) X (0) 0 UNIÓN LA CALERA-CHI

Data: 28/05/2019
Local: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG)
Hora: 21h30 (de Brasília)

GOLS: Alerrandro, aos 24′ do segundo tempo. Nos pênaltis, Fábio Santos, Luan e Leonardo Silva marcaram para o Atlético. Bou, Leyton e Larrondo perderam para o Unión La Calera.

Atlético: Victor, Patric, Leonardo Silva, Igor Rabello e Fábio Santos; Zé Welison, Elias, Luan, Geuvânio (Maicon Bolt) e Cazares (Chará); Ricardo Oliveira (Alerrandro).
Técnico: Rodrigo Santana.

Unión La Calera: Batalla; Andía, Alvarado, Vilches, Navarrete (Thomas Rodríguez) e Wiemberg; Matías Laba, Juan Leiva (Zúñiga), Larrondo e Franco Lobos (Leyton); Walter Bou.
Técnico: Francisco Meneghini