Galo antecipa R$ 200 milhões de recebíveis da Arena MRV com títulos de CRI do mercado financeiro

Por: Betinho Marques, do FalaGalo, em Belo Horizonte

A Moneytimes, recentemente, publicou em sua página que o estádio atleticano seria um atrativo para quem fizesse parte dos investimentos do empreendimento da Arena MRV. Com a alta da Taxa Selic próxima de 12,75% a.a com mais 4%, isenção de Imposto de Renda e sem pagamento mensal de juros e o Galo ao fundo, tudo chama a atenção.

Acontece que o torcedor do Atlético que acompanha o mercado e vive o Galo não perde nada. Para muitos, o clube poderia estar recorrendo a empréstimos por dívidas contraídas da Arena MRV em função do aumento dos custos da obra.

O FalaGalo foi atrás de entender o movimento do equipamento e obteve o retorno de que o estádio precisa dar fluidez ao caixa da obra, ou seja, antecipar recebíveis, já que, mesmo com a venda de cadeiras e camarotes alguns foram comercializados em até 72x. Esses valores, obviamente, não foram ainda recebidos na sua totalidade em função dos parcelamentos.

Desta forma, a Arena precisou acelerar os recebimentos (do futuro) para pagar as atividades de obra que teriam recursos disponíveis somente lá na frente. O CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) da Arena MRV é um título de renda fixa de crédito privado. Em síntese, é pagar a obra na velocidade das suas atividades.

Pelo apurado, são cerca de R$ 450 milhões de valores a performar (receber) entre cadeiras, camarotes e patrocínios, dados que foram explanados no Galo Business Day e também aos Conselheiros na última semana. Como há um descasamento de fluxo de caixa e recebíveis, principalmente de cadeiras vendidas, a operação necessita de um fluxo condizente com a rotina acelerada da obra.

Uma fonte detalhou o contexto da operação financeira da Arena MRV:

A Arena MRV realizou uma operação de crédito, como se fosse uma antecipação de recebível no montante de R$ 200 milhões, e o contas a receber foi colocado como garantia de pagamento, em uma movimentação perfeitamente normal no mercado da construção civil. Essa operação está descrita, nas Demonstrações Financeiras da Arena MRV, disponibilizadas no portal da transparência do Atlético.

Após consultas e cotações com as mais diversas entidades financeiras, a que apresentou as melhores condições para Arena MRV foi uma operação estruturada de CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), na qual a Arena MRV emite títulos para venda, lastreado no contas a receber do estádio, e com destinação total para a conclusão da obra.

Ressaltamos também que os CRIs poderão ser negociados entre investidores qualificados, tais como corretoras e suas plataformas de investimentos, dentre outros. Esta é a razão do produto estar sendo anunciado no mercado.

Importante explicar que para a obra continuar no ritmo que estamos acostumados a acompanhar desde o início do projeto, necessitamos desse recurso agora para finalizarmos o empreendimento. Ou seja, faz parte do “Funding” da obra.

O que é fundamental esclarecer é que essa operação de crédito em nada altera o projeto inicial da Arena MRV. O estádio tem como seu único acionista o Atlético. O que ocorreu foi apenas uma operação de crédito para enquadramento do fluxo de caixa da obra“, finalizou.

Portanto, a obra da Arena MRV, conforme apuramos, trouxe para o presente os recebimentos de R$ 200 milhões que viriam ao caixa só no futuro para equalizar a velocidade da obra ao seu fluxo de caixa, mantendo a premissa de sempre – A obra paga a obra.