Cultura, tradição e DNA vencedores!

 

 

Por Professor Denílson Marques 

Cultura significa todo um complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.

Tradição é tudo o que se pratica por hábito ou costume adquirido

DNA é a sigla para ácido desoxirribonucléico, que é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus.

Uma coisa que diferencia a Massa das demais torcidas é que nós temos bastante clareza que o Atlético nos basta. Torcemos para o Clube, para o Time (e já tivemos cada time assustador), para um sentimento de atleticanidade que é maior que qualquer vitória, conquista ou título. E que isso continue assim. Afinal, quando o Galo mais precisou da Massa na fatídica campanha da série B, o torcedor esteve presente e carregou um time limitado de volta à série A. Mas as vitórias na Libertadores e na Copa do Brasil, em 2013 e 2014, fizeram surgir um novo sentimento muito agradável. É bom ganhar, levantar taça, ser campeão. E isso nos faz, com toda razão, querer não só o Clube, mas um Clube Vencedor.

A desclassificação na Copa do Brasil trouxe, novamente, a discussão quanto a tradição, a cultura ou o DNA do jogo do Atlético. Todos concordam que é necessário criar uma cultura vencedora no Galo, e, para isso, defendem a volta do Galo Doido (Cucabol) ou a adoção do “futebol de resultados” (Manobol). Esse debate não é novo – ainda que tenha adotado uma cara nova. Para os mais “antigos”, é fácil lembrar dos debates acalorados que ocorreram após a desclassificação da famosa Seleção de 1982. Foi a derrota do futebol bonito brasileiro para o futebol de resultados italiano. O resultado daquele debate (e do trauma da derrota) nos levou à bisonha seleção de 1990, sem futebol bonito e também sem resultado.

Voltando ao Galo, que é o que interessa, os que defendem a volta do Galo Doido apoiam sua escolha nas conquistas de 2013/2014. Foi um time vencedor e que já está marcado na história do Atlético. É inesquecível o “caiu no Horto, tá morto” ou o (verdadeiro!) “eu acredito”, que nos levaram a vitórias épicas e a conquistas de dois dos maiores títulos da nossa já tão gloriosa história. Mas também não dá para esquecer dos sustos e sofrimentos daquelas campanhas, quantos resultados a serem revertidos, pênalti no último minuto ou apagão para nos salvar. Contamos bastante com a ajuda da sorte, além de termos um time de alto nível, com um craque mundial como liderança técnica. Não temos mais Victor, Léo Silva e Rever em seu ápice – a idade chega para todos. Nem temos mais um ataque com Tardelli, Jô, Bernard e Ronaldinho. A qualidade técnica daquele time era suficiente para mais títulos e menos sofrimento. Por que isso não aconteceu? Pela absoluta loucura e desorganização do Galo Doido.

Já os que defendem o “futebol de resultados” se apoiam nas conquistas do Corinthians do Tite ou Carille, no Palmeiras, com Felipão, e no nosso adversário, com Mano. Em geral, times que abrem mão de jogar o futebol e fazem o meio a zero parecer goleada. Mas, no final, conquistam títulos. E sejamos sinceros: o objetivo do futebol é, realmente, vencer, conquistar títulos. Quem premia beleza é concurso de miss. E o “futebol de resultados” entende que “os fins justificam os meios”: não interessa se o futebol é feio desde que seja vencedor. Daí, vem a defesa de adotar este estilo no Galo também. Mas se todo mundo resolver adotar esse estilo, vamos ter os campeonatos vencidos no par ou ímpar porque ninguém vai querer jogar bola. O “futebol de resultados” não é só feio, é chato pra caramba. Dizem que o nosso rival local ganha jogo porque o futebol é tão chato, modorrento, maçante e entediante, que o adversário (e também os espectadores) cai no sono e dorme por tempo suficiente para que façam o gol (único!) da vitória.

Independente da filosofia de jogo, muitos falam da cultura, tradição ou DNA do Galo. Toda organização tem uma cultura própria, moldada pelo tempo e pelas tradições adquiridas em sua história. E o Atlético também tem sua cultura, suas tradições, seu DNA. E suas características são muito fáceis de serem percebidas quando a Massa exige raça, empenho, dedicação, pressão… “queremos raça do time todo”, “vai pra cima deles Galo”… O próprio Galo foi criado como referência às rinhas que existiam e Belo Horizonte, onde galo forte e valente que se destacou por não fugir da luta e vencer adversários maiores e mais fortes. O DNA do Galo é vencedor. É de se impor. É de ser dono do terreiro e do galinheiro. E não dá para ser vencedor assim? É claro que dá! Copiar a filosofia dos outros não é garantia de resultados. Pode dar certo? Claro. Pode dar errado? Também. Mudar uma cultura é muito difícil e não é certeza de resultados. Assim como há os acertos com a mudança, há também os que se recuperaram ao buscar suas origens, resgatar seus valores e crenças, valorizaram sua tradição, sua cultura e seu DNA, e voltaram a ser vencedores.

Creditam ao Einstein a afirmação de que “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, ou seja, é preciso mudar para alcançar resultados diferentes. Mas Tomasi de Lampedusa afirmou que “se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”. Mudar ou reforçar a cultura? Não há resposta certa e exata. Mas é fácil perceber como a identificação da Massa com o time, mesmo em um jogo que nos levou à desclassificação, nos leva a vitórias, nos satisfaz. É preciso resgatar (não é criar, porque o Atlético já tem) o espírito vitorioso e campeão, especialmente nos jogadores. São eles quem nos representam. São eles quem têm o privilégio de vestir o Manto. E eles têm a obrigação de conhecer nossa história, nossa cultura, nosso DNA. Para isso, é preciso olhar para a própria origem do Atlético, a própria história do Clube e transformar em atitude o que já é cantado nas arquibancadas: “lutar, lutar, lutar com toda nossa raça para vencer. Clube Atlético Mineiro. Uma vez até morrer!”.

 

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