Camisa 9: tradição do Galo

 

Meu povo preto e branco, é com muita honra, muita história de peso e em tempos de decisão, já que as fases decisivas dos torneios se aproximam, que aqui estou hoje para falar da tão decisiva e fatal camisa 9 do CAM.

Lucas Pratto – Imagem: Bruno Cantini

 

Por Helton Amora

A tão admirada, olhada, vista e falada, impiedosa camisa 9. O número 9 é aquele que quando a gente vê no campo ou pela tv, se parece com um super-herói em ação. Quando o adversário enxerga essa camisa se assusta, sente medo e até treme, tudo pelo peso, pela memória, ou pelo desenho que ela forma quando é vista de costas, graças ao impacto que ela dá.

Pois bem, vivemos dias saborosos e vitoriosos, uma situação que chegou há bastante tempo e não vai mais embora, nós não vamos deixar passar. Um ex-presidente atleticano recentemente já profetizou isso. No entanto, volta e meia questionamos o poder de fogo do time, o ataque, os gols, a quantidade e até a capacidade de fazê-los. Nós, torcedores do Galo fervorosos, fanáticos e alucinados que somos, estamos sempre falando em gols, balançar as redes, ter raça antes mesmo de jogar bonito, ser plástico ou querer um camisa dez.

O Clube Atlético Mineiro é historicamente um time de centroavante, onde quem se destaca é o camisa 9, sendo muito mais badalado e falado que qualquer camisa 10.

Vejamos exemplos: Dadá Maravilha, REInaldo, Reinaldinho, Renaldo, Marques, Valdir Bigode, Guilherme “pança”, Jô, Pratto, Fred, Ricardo Oliveira e Alerrandro. Todos atacantes, na maioria das vezes centroavantes, nem sempre vestem a camisa 9, mas somos seus admiradores e nos deleitamos com eles.

Nos tempos de hoje, nas idas e vindas de jogadores, estamos tentando nos deliciar com as apresentações de alguns camisas 9 e até encaixá-los no time, a fim de encontrar o ideal, mas não o estamos enxergando.

Pratto, Fred, Ricardo Oliveira e Alerrandro são os mais recentes. A partir do primeiro a ser citado, praticamente iniciou-se um novo ciclo e estamos querendo mais troféus, mas não achamos a formação ideal na qual algum desses 9 tenha se perpetuado, considerando as várias nuances.

Passo a analisá-las:
Pratto, um atacante diferenciado para os padrões, costumes e olhos do brasileiro. Um atacante que “morde” o tempo todo, briga, dá carrinho, chuta de fora dá área, combate, compõe, tem estilo de centro-avante, mas, na prática, parecia fazer poucos gols. Já ouvi até comentários de colegas que ele é um atacante que não faz gols, que apenas dá carrinhos e não fica dentro da área a todo momento.
Além de ser um cara cosmopolita, Pratto gostava de morar em Lourdes, andar a pé e tomar seu vinho em restaurantes. Estava muito bem encaixado no perfil do Galo, além de deixar claro que daria certo aqui.

No River, foi campeão de uma Libertadores em cima do maior rival e o mundo inteiro viu, assim como nós já fomos campeões nacionais em cima do nosso maior rival e o mundo inteiro também viu. Chego à conclusão de que Pratto era um 9 incompreendido, pois o brasileiro não estava acostumado a ver um atacante tão bom.

Sempre sonhamos e ouvimos falar que Batistuta estava vindo para o Atlético. Um jogador muito participativo, empenhado e a cara do Galo. Quando o tivemos aqui, ele acabou indo embora e hoje ansiamos por um outro assim.

Fred, Frederico Chaves Guedes, desde que surgiu no Coelho tinha a nossa cara. Desde aquele gol na Taça São Paulo, do meio de campo, demonstrou força, atitude e visão. Traçou seu caminho tão vitorioso quanto tortuoso, mas quando chegou ao Galo fez de tudo para atuar e estar presente em poucas horas de assinatura de contrato. Fez gol, brigou e honrou a nossa camisa dentro das quatro linhas. Não vou entrar no mérito extracampo.

Foi um 9 como gostamos, além de ter sido decisivo por onde passou, como na França e no Rio de Janeiro. É um atacante que chuta de longe, de perto, faz tabela, chega e resolve, mas por aqui durou pouco e saiu pelas portas dos fundos.

O Bom Pastor, Ricardo Oliveira, é um atleta renomado, atacante respeitado fora do país e uma pessoa que só agrega, engrandece e ensina muito a qualquer grupo ou clube em que esteja. É ainda eficiente, mas talvez tenha chegado um pouco tarde aqui no Galo. Mesmo assim, funcionou bastante até agora e ainda desperta a cobiça de alguns clubes concorrentes.

Atualmente, estamos descontentes com Ricardo Oliveira. Até mesmo quando ele foi bem no início do ano, era perceptível que os gols, os dribles e as arrancadas que ele realizava eram com um esforço acima do normal. Havia êxito, mas pela fragilidade de alguns adversários, pela ausência de um substituto, ou até a falta de um centroavante no futebol praticado no Brasil, ele resolvia.

Por fim, Alerrandro. O jovem atacante surgiu de uma forma surpreendente, sutil e meio sem conhecimento do time, muito disso por parte do ex-treinador atleticano, Levir Culpi. Alerrandro apareceu no ímpeto, com cheiro de gol, visão, mobilidade e até com um pensamento antecipado, já que antevê as jogadas muito bem.

No Campeonato Mineiro, atuando no time alternativo, ele foi muito bem. No time principal, também fez boas atuações. Talvez ele já fosse muito bom antes de ter oportunidades, nós só não tivemos como vê-lo no time titular nas principais partidas do ano.
Alerrandro poderia ter sido tão eficiente quanto está sendo agora naqueles grandes jogos, mas não era escalado para sair jogando porque o treinador Levir Culpi não teve coragem para tirar o Pastor, ou porque não tinha conhecimento para enxergar o novo camisa 9 que é a cara do Galo. Fato é que ele é bom e está funcionando. Temos mais um 9. Já absoluto? Por enquanto, não sei.

Quando nossos 9 decidem partidas, nós vemos gols de camisas 9 acontecendo. Isso alimenta nossa alma de atleticano, enche nossos olhos e nos enche de orgulho. Somos acostumados a ver gols, times e atacantes incisivos, rompedores, como mineiros de grutas. É preciso ter raça, força e resultado para quebrar e “carregar pedra”.
Obstáculos dos campos e da vida.

 

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Revisado por Jéssica Silva