Apesar de vocês…

Por: Prof Denilson Rocha

Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três,
Onde menos vale mais.
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar.
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar.
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar.

A composição do fabuloso Toquinho fala das dificuldades dos relacionamentos nos quais uma das partes não dá o devido valor à outra, até que, um dia, não é possível manter as coisas da mesma forma. Parece que a relação entre Atlético e a torcida passa pelo mesmo roteiro. Depois de maltratar a Massa por tantas vezes, estamos cansados e os resultados são visíveis.

A relação do torcedor do Atlético com o clube é um negócio surreal. Mesmo já com as muitas desilusões, irritações e complicações, a Massa sempre se mostrou presente. Calejada, sofrida e pouco valorizada pela própria diretoria do Galo – especialmente nos últimos anos, os torcedores continuavam seu calvário, indo aos estádios mundo afora, pagando seu GNV, comprando produtos. Enquanto isso, recebia times medíocres e descompromissados, desclassificações e, especialmente, o destrato quando tenta melhorar esta relação.

Os que tentaram contato com o atendimento do GNV sabem como é complicado.
Os que tentaram comprar uniforme ou qualquer outro produto do Galo sabem que é inacessível.
Os que tentaram frequentar aos jogos sabem que são colocadas todas as dificuldades – preço, acesso, segurança, transporte…
Os que tentam manter a paixão sabem que é preciso muito mais que os gritos do “eu acredito”.

Por muito tempo fomos ignorados pelo clube que amamos, mas continuávamos lá. Como dizem os adversários: “sofredores”. Um sofrimento que purificava a alma e que nos unia mais e mais e, a cada dia, nos tornávamos mais honrados de ser atleticanos.

Entretanto, a forma como seguidamente somos desprezados pelos dirigentes do clube nos fizeram cansar.

Primeiro, veio o aviso e o público modesto na estreia no Brasileirão, contra o Avaí. Mas os protestos fora do estádio não foram ouvidos – ou não mereceram a devida atenção pelos mandatários.

O segundo aviso veio no último domingo, com Atlético x Palmeiras. Podem falar do dia das mães ou do preço do ingresso, nada disso seria impeditivo em outros momentos. Sempre foi possível comemorar ao lado da mãe e correr para o estádio para ver o Galão e em muitas vezes, levando a mãe junto. Mais uma vez, os donos do Galo fingem não ver ou ouvir os recados que vêm da Massa.

Um novo recado já está dado: mais uma vez a torcida não se mobilizou para um importante jogo. A Copa do Brasil iniciou e não vimos a Massa tão envolvida ou interessada.

Quantos avisos serão necessários até que a diretoria atleticana acorde? Quantas vezes precisaremos gritar para sermos ouvidos? Até quando os donos do clube vão se sentir maiores que a torcida? Por quanto tempo teremos que aceitar quem nos despreza?

Porém, dos muitos recados não ouvidos, um precisa ser reforçado: nossa esperança, nossa fé e nossa paixão são direcionados somente ao Clube Atlético Mineiro. As pessoas orgulhosas, incompetentes e arrogantes que estão à frente do Galo receberão o que merecem, basta um pouco de tempo e a renovação virá.

Afinal, um outro grande compositor passou o recado:
Amanhã vai ser outro dia
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o Galo insistir em cantar?
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
De “desinventar”
Você vai pagar, e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.

 

Revisado por: Jéssica Silva

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