A culpa é de quem?

Por: Alberto Castelli
Revisado por: Jéssica Silva

O Galo está de técnico novo, pelo menos até segunda ordem, no seu velho estilo de apagar incêndios provocados pelos seus próprios diretores que acabam por enterrar mais ainda o Clube Atlético Mineiro em seu emaranhado de erros (em vários níveis), fato que vem se repetindo temporada após temporada.

Ao observar o cenário atual de uma nova troca de treinador é necessário voltar a 2015 quando tínhamos um treinador, coincidentemente o mesmo Levir Culpi, demitido recentemente e que havia sido vice-campeão do CampeonatoBrasileiro e teve seu processo de trabalho (continuidade) interrompido pelo então presidente Daniel Nepomuceno, que entendeu naquela oportunidade que era hora de trocar o comando técnico da equipe e não renovou seu contrato.

Daí por diante o Atlético buscou um novo treinador a cada seis meses, em média. Foram muitos contratos rescindidos com jogadores também contratados sem a menor avaliação prévia. Muitos deles, aliás, nunca deveriam ter vestido a camisa do Atlético…

Assim se passou o tempo onde Fred era um “cone”, Lucas Pratto não servia, Rafael Carioca e Robinho também não. Tantos outros também acabaram se “queimando” com o torcedor por não haver um planejamento bem definido, um projeto consistente de trabalho onde liderança e liderados falem a mesma língua e onde apenas aqueles que são capacitados para as respectivas funções deveriam estar no comando.

Marcos Rocha também não servia, e nos dias mais atuais também não servem Elias, Fábio Santos, Patric e tantos outros. Além disso, há de se contar que logo logo deveremos passar por uma nova troca de treinador, até porque esse que aí está também não serve e assim vamos passando pelos Oswaldos, Thiagos e por tantos outros sem que haja nenhuma coerência nas filosofias apresentadas.

Se defendo ou critico algum jogador? Não se trata disso, se trata de observar os mesmos erros de avaliação e conduta sendo repetidos temporada após temporada e enquanto outros crescem nós vamos regredindo. Um clube que vive aos lampejos de 2013, aos milagres de um Horto que hoje não tem mais superpoderes, e assim continua esperando que a luz do estádio se apague, na esperança de que o time volte com outra postura quando elas se restabelecer.

É nítido quando olhamos para outros clubes de futebol, que mesmo com investimentos menores fazem trabalhos muito mais consistentes e que dão muito mais resultados do que o nosso. Seria isso o retorno da tão falada continuidade? De nada ela valerá se não hover uma filosofia bem definida, planejamento, profissionalismo, metas e resultados sólidos, e assim continuamos com os chamados “amigos da galera”, os protegidos, os heróis do passado que hoje não mais entregam aquilo que deles é esperado, e seguimos inflando o nosso ego e comemorando viradas históricas diante de times infinitamente inferiores ao nosso.

Mas afinal, de quem é a culpa? Essa pergunta é respondida com algumas dessas ponderações que aqui explanei, além de tantas outras das quais talvez nem nós que acompanhamos o Galo tão de perto temos conhecimento. Assim sendo, talvez possamos pegar tudo isso, jogar em um liquidificador, bater por um ou dois minutos e quem sabe encontrar as respostas.

Pela frente, ficaremos à espera de um milagre na fatídica campanha até aqui apresentada pelo clube na Copa Libertadores, além de dois clássicos que valerão o título do estadual, contra um rival organizado, que sabe o que faz em campo, tem um treinador longevo no cargo, um grupo forte, investimentos, filosofias e padrões bem definidos, além, é claro, de muito trabalho.
Temos chances de avançar à próxima fase da competição internacional e ainda sermos campeões do estadual?
Tire suas próprias conclusões!