“Partiu Riascos… Victor pegou!”: Vai começar a Libertadores 2019! – Por Tomaz Araujo

Qualquer brasileiro que em 1994 já tivesse o mínimo de consciência da vida é capaz de relembrar detalhadamente a manhã de 1º de maio quando Ayrton Senna partiu para acelerar em outras pistas. Assim como é improvável que alguém não se lembre do 11 de setembro, a forma em que assistiu o colapso das torres, os sentimentos confusos e as imagens gravadas eternamente na memória.

Futebolisticamente fazendo um paralelo, qualquer atleticano que se preze sabe onde estava, com quem e o que fazia no dia 30 de maio de 2013, data em que o goleiro Victor foi canonizado como “São Victor do Horto” por defender um pênalti contra o Tijuana, aos 47 minutos do 2º tempo. Basta ao atleticano fechar os olhos e se emocionar novamente. Em momentos catárticos como este, não existe uma reação padrão certa ou errada. Alguns reagiram no desespero, outros na euforia. Difícil é encontrar alguém que não tenha chorado.

Vou confessar que ainda tenho o hábito de deixar no YouTube um vídeo com todas as narrações do “Partiu Riascos… Victor pegou!”

Quando o juiz apontou a marca da cal, Victor ainda não era consagrado um pegador de pênaltis. Era visível tratar-se de um grande goleiro, mas sem aquela aura que os ídolos carregam. Naquela altura já tinha em torno de 50 partidas pelo Galo e apenas um pênalti defendido, em um jogo contra o Náutico, pelo brasileiro. O Galo vinha de uma sequência extremamente sofrida de goleiros e Kalil chegou a dizer a seguinte frase na época em que estávamos procurando goleiros: “qualquer pessoa que passe na porta do CT com mais de 1,80m nós empurramos para dentro e tentaremos fazer dele um goleiro”.

Mal sabia Kalil que tudo mudaria depois daquele pé esquerdo. Até as decisões familiares foram influenciadas. Segundo levantamento do Globo Esporte, de 2013 para cá, o nome Victor teve um crescimento de 33% nos registros de nascimento em Minas Gerais. Só no ano do título foram mais de 2 mil crianças. Eu sou um desses que fez a mesma promessa que Renato Russo cantava: “meu filho vai ter nome de santo.”

Para mim a promessa foi feita já no dia 31. No ano da Libertadores eu vivia em Seul e por causa do fuso horário de 12 horas, os jogos noturnos em BH eram sempre pela manhã para mim. Devido aos jogos da Libertadores eu tinha ajustado todas minhas aulas do mestrado pra nunca serem pela manhã, assim não corria o risco de perder qualquer jogo.

Uma das partes chatas de viver do outro lado do mundo e longe do Galo, foi assistir toda a campanha do título sozinho. Eu, meu laptop e o WhatsApp bloqueado pra não receber spoilers devido ao delay da transmissão.
Ficava tão ansioso na véspera com os jogos, que mesmo indo dormir tarde, normalmente acordava às 5 da manhã, sendo que os jogos eram apenas às 10. Morria de medo de dormir demais e perder o jogo. Naquela manhã em especial eu estava mais que confiante e tranquilo. Até o momento em que Léo Silva fez a falta. Minha reação imediata foi correr ao banheiro, pois na angústia do pênalti todo o café da manhã deu sinal de vida.

Segundo Kubler-Ross, o luto é vivido em 5 fases: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Entre a marcação do pênalti e a cobrança efetiva, vivi intensamente essas 5 fases. Voltei para o quarto e só pensava: “outra vez não. Sempre o Galo.” Logo passei da negação para a fase seguinte, a raiva e depois a barganha: “Ah, nem é tão ruim ser eliminado agora. O Brasileirão está só no começo, dá pra ser campeão.” A depressão foi vivida intensamente. Me joguei na cama e falei alto: “Nunca mais vejo um jogo desse time.” E por fim a aceitação: “Mas o Galo é assim, sempre assim.”

Mas o luto foi momentâneo. Eu vi Riascos ir pra bola e Victor de bico isolar. E daquele dia/manhã em diante, ser atleticano nunca mais foi a mesma coisa. Nascia o “eu acredito”, o mantra motivador que é invocado nas horas mais escuras quando o fim se aproxima. Victor isolou a síndrome de vira-lata do atleticano. Tornou-se santo, ganhou procissão anual em BH e milhões de súditos.

Vesti o manto sagrado e fui para a aula. Estava sem voz e ainda recebi uma notificação do prédio. Meu vizinho coreano não achou nada normal alguém gritando enlouquecidamente numa manhã de sexta-feira.

Tudo ainda parece um sonho e 2013 parece distante. Estamos prontos para a Libertadores 2019? O caminho que trilharemos nessa edição ainda é longo, mas a certeza é que o atleticano está preparado para fortes emoções.

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19 comentários em ““Partiu Riascos… Victor pegou!”: Vai começar a Libertadores 2019! – Por Tomaz Araujo

  • 5 de fevereiro de 2019 em 06:43
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    Fantástico! Me arrepiei com as lembranças trazidas pelo post. Que nesta Libertadores possamos sofrer menos porque em 2013 gastei muito omeprazol. Eu acredito!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 07:26
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    Bom dia Atleticanos, hoje começa a libertadores para o Galo. Neste jogo já podemos ter uma ideia preliminar do que o atual elenco poderá produzir na libertadores. O adversário não é dos melhores e nem figura como time de tradição em competições internacionais, mas o futebol tupiniquim não tem mais a qualidade de outrora, o que faz com que qualquer adversário seja duro de vencer.
    Sobre o atual elenco do Galo, enfim conseguiu montar uma defesa com peças que podem reverter o cenário dos últimos quatro anos: uma verdadeira peneira sem fundo. Nos demais setores ainda não houve tempo e nem jogos capazes de dar condições para uma avaliação.
    Uma boa vitória hoje pode dar animo e confiança ao elenco. Para o o torcedor, o que importa é o time apresentar um bom nível de futebol nas fases da libertadores, ser aguerrido e nunca desistir da busca pela vitória. Vamos torcer, embora reconheça que o time ainda carece de reforços. Saudações Atleticanas

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 08:44
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    Bom dia!
    Baita texto!
    Aquela noite nunca será esquecida. Eu e minha esposa na sala…por que você fez isso Leo? Não acredito…isso só acontece com o Galo…meu coração quase parou, mas eu também vi o Riascos ir pra bola e Victor de bico isolar…Galooooooooooooooo!!

    Confiante pra estreia hoje à noite, mas já era pro Galo ter contratado um Lateral esquerdo. E se o senhor Levir não fosse tão turrão, teimoso, o time já entrava com Guga na LD, Adilson e José Wellison na volância, ou um dos dois e Jair, além de Cazares, Luan, Chará (pela direitaaaaaa) e Ricardo Oliveira. A propósito, até os mais críticos sabem que se a bola chegar pro pastor, ele guarda, entretanto, precisamos de um outro bom centroavante…urgentemente!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 09:14
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    Salve massa!

    Fantástico post de hoje !!!! Simplesmente sintetiza o divisor de águas que passou a existir depois daquele jogo. O EU ACREDITO hoje copiado por várias torcidas, passou a ser um mantra, que somente que idolatra o manto alvinegro pode dimensionar. Minha sugestão é que hoje antes da preleção, seja passado aos jogadores o vídeo daquele momento para que eles encarnem o espírito de 2013.

    Té +

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 10:22
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    Quero ter esse sentimento e lembranças ganhando o brasileirão.

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 10:52
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    Bom dia!
    A defesa do Victor e o gol de Dario em 71, nunca se apagarão da minha memória.
    Quanto ao jogo de hoje, para mim, o futebol do Galo ainda não convence.
    Time com Patric, Elias, Cazares e Ricardo Oliveira não chega a lugar algum.
    Contudo, não tem como não apoiar e torcer muito para uma vitória no dia de hoje. A continuidade na Libertadores será a cereja do bolo para a temporada.
    Pra cima deles, GAAALOOO!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 11:09
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    Bom dia,

    Não teve como ler o texto e não lembrar do que passamos naquele momento.
    Estamos esperando pelo início dos jogos da libertadores desde primeiro de janeiro, então, vamos com tudo hoje, otimistas com um início arrasador. Aqui é Galo!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 11:45
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    Salve massa!

    Fantástico post de hoje !!!! Simplesmente sintetiza o divisor de águas que passou a existir depois daquele jogo. O EU ACREDITO hoje copiado por várias torcidas, passou a ser um mantra, que somente que idolatra o manto alvinegro pode dimensionar. Minha sugestão é que hoje antes da preleção, seja passado aos jogadores o vídeo daquele momento para que eles encarnem o espírito de 2013.

    Té +

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 12:44
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    Excelente o texto! Foi o momento mais emocionante daquela campanha épica! Alguém dirá: “Não, o mais emocionante foi a final, o tão sonhado título tornado realidade!” O problema é que se não fosse o pé esquerdo de Victor, não haveria o título, aliás não haveria nem final, pois mais uma vez teríamos morrido na praia!Única ressalva ao texto: corrija a parte de que fala Whatsapp, pois o mesmo ainda não existia em 2013 . O resto, nota 10!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 13:21
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    Partiu BMG de novo, tentar recuperar algum quando pagou a de 2013

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 14:11
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    Parabéns pelo ótimo post.
    Com ADÍLSON , J. WELLISON , JAIR , CAZARES PARA O MEIO DE CAMPO , SIMPLESMENTE NÃO CABE O PÉSSIMO E IMPRODUTIVO ELIAS COMO TITULAR. Levir precisa deixar de ser teimoso , pois isso pode custar caro.
    GUGA também tem que ser titular. Vamos em frente.
    AQUI É GALO.

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 14:33
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    Muito bom recordar esse momento maravilhoso da nossa história!

    No espírito da postagem, afirmo: hoje o Galo passa! Nosso time é melhor e muito mais experiente que o Danúbio, espero uma vitória tranquila.
    Sem menosprezar o adversário, é claro. Se eles conseguiram chegar até aqui, devem ter alguma qualidade. Libertadores é jogo duro, é preciso jogar com responsabilidade e com muita raça, buscando o resultado do início ao fim, ao contrário do que temos visto nas duas últimas temporadas.

    Pra mim, Guga e Jair seriam titulares hoje, mas Levir deve entrar com Patric e Elias. Vamos torcer para que os dois joguem bem e honrem nosso manto.

    Espora neles, Galo!
    SAN.

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 16:30
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    Caros,
    O terror salvou nosso Galo do traiçoeiro Tijuana. Sem as máscaras ñ teríamos exorcizado o fantasma de mais uma eliminação precoce. Hj a obrigação é toda nossa de trazer um grande resultado prá BH. Vamos ver como nosso time atua fora de casa, é isso q vamos observar. Agora, qq outro placar diferente da vitória ñ pode existir…
    Queremos o Brasileiro 19.
    GALO SEMPRE!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 16:46
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    Hoje começa uma batalha novamente !!! Ta na hora de usar a nossa frase!!!
    #EuAcredito
    #ContinenteAtleticano

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 17:14
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    Oloko acho q passou um filme aqui agora, arrepiado, nada se compara com uma libertadores

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 21:13
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    Ridículo!!! Não tem laterais! Adílson, Elias?! O Zé Welison dá de mil nesse tal Adilson! Não dá!!! Horrível! Empatar com esse time do Danúbio! Com todo respeito ao time uruguaio, não pode. Time sem vontade, sem marcação, sem gana! Parece que tá fazendo um favor em jogar. O triste é que ganha no Independência e aí todo mundo acha que tá tudo bem. Agora vamos escutar o que o piadista vai falar…

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 22:02
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    Boa Noite,

    Meu Deus, vou fazer uma relação dos piores por ordem:
    Fábio Santos, Patric, Victor e Levi.
    Não chegaremos em lugar nenhum com a teimosia e burrice do Levi, Patric nunca mais, errou todos os passes, errou na cobertura e em tudo, só não foi pior do que o Fábio Santos, como sempre os dois gols nas costas dele.
    Victor foi simplesmente horrível, só não teve culpa nos gols.
    Luan, dorminhoco e chutando mal, como sempre.
    Adilson, mal, e se fosse juiz brasileiro teria sido expulso de novo.
    Elías, este acho que não jogou, não o vi em campo.
    Chará, só serviu naqueles lances de contra ataque que geraram cartões.
    Pontos positivos:
    Maycon Bolt, Ricardo Oliveira e os Zagueiros.
    Na média: Cazares
    Agora o Levi foi o pior, além de não entrar com o Guga, ainda não o colocou depois de seguidas cagadas do Patric.
    A volta teria que ser no mineirão, mas o time não ajudou com um placas delatado, daí, temos que conviver com o cagaço da diretoria.
    Vamos então, ao independência e com o eu acredito.

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 22:16
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    A insistência da diretoria e do Levir com Fábio Santos e Patric é algo inexplicável. As falhas individuais destes jogadores se tornaram repetitivas, acontecem com frequência e comprometem a atuação de toda equipe.

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