O preço de ser um torcedor alvinegro

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Informação sobre Miguel Trauco: www.youtube.com/watch?v=iTnfbtF7HHA

 

Por: Prof Denilson Rocha 

No último dia 19/05, o Jornal O Globo publicou reportagem que tratava do quanto custa ser torcedor “roxo” dos times da Série A do Campeonato Brasileiro. Para análise, o artigo avaliava os preços da camisa oficial do time, da assinatura do pay per view e dos planos de sócio-torcedor, depois, avaliava este custo em relação ao salário médio da cidade onde o clube atua. A iniciativa do jornal é muito interessante e despertou alguns debates. Porém, é necessário avaliar os valores com outra ótica…

Inicialmente, é importante ressaltar que os valores mudam e o momento que o jornalista coletou as informações levou aos dados apresentados. No caso do Galo, por exemplo, o lançamento do novo uniforme, na última semana, faz que o cálculo seja diferente. Ilustrando, o plano de pay per view custa R$79,90/mês (em streaming), o GNV Branco – o mais barato – custa R$13/mês e a nova camisa custa R$ 146,05 (já considerando o desconto oferecido ao sócio torcedor) ou R$12,17/mês. A soma dos valores mensais seria, então, de R$105,07. Porém, o jornal apresenta o valor de R$109,56. A diferença é irrelevante…

 

O que importa é que o torcedor “roxo” ou, no nosso caso, Alvinegro não compra a camisa, paga o sócio torcedor e o pay per view e fica sentado no sofá da sala. O torcedor fanático vai ao estádio e isso faz a conta mudar bastante.

Em geral, o Atlético faz por volta de 35 jogos em Belo Horizonte a cada ano, incluindo Brasileirão, Mineiro, Copa do Brasil e Libertadores ou Sulamericana. Em 2018, o valor médio do ingresso – considerando o balanço patrimonial – foi de R$15. Ou seja, se a pessoa foi a todos os jogos com esse valor médio, seriam R$525/ano ou R$43,75/mês. Esse valor já leva o custo mensal de ser Alvinegro para R$148,82 – e ainda estamos desconsiderando o transporte e a alimentação a cada ida ao estádio.

Outro ponto a ser considerado é que não adianta ter o pay per view se não tiver uma assinatura da TV a cabo ou um bom serviço de internet. Coloque aí uns R$100 mensais, no mínimo. Ou seja, R$248,82 mensais!!!

E estamos tratando do GNV Branco! Se passar ao GNV Prata, são mais R$22 por mês e o total chega a R$270,82.

A reportagem no O Globo aponta, então, que torcer para o Galo custaria 3,77% da renda média de Belo Horizonte, o que faz considerar que a remuneração média na cidade é de R$2.906. Segundo dados da Prefeitura de Belo Horizonte, 60% da população da cidade ganha menos que isso. Um de cada cinco moradores de BH ganha, no máximo 1,5 salário mínimo. Ou seja, pagar pay per view seria um grande privilégio para quem se sacrifica a cada dia para colocar a comida na mesa.

Ser torcedor fiel é muito caro. Aí se enquadra a fala do ex-presidente Kalil que afirma que “futebol é para rico”. E não é uma defesa da elitização do futebol. É fato, é uma constatação. E essa certeza que gera os desafios ao novo diretor de marketing do Galo.

É preciso pensar o futebol como parte da indústria do entretenimento, que disputa atenção e dinheiro com diversas outras formas de diversão e ocupação do tempo. É necessário gerar atratividade com o espetáculo e com a experiência do Torcedor, além de integrar as várias formas de consumir futebol para, então, gerar valor e estímulo ao consumo. Falando de forma mais simples: se o sócio torcedor tem desconto no ingresso e na camisa, também pode ter preços diferenciados para o pay per view e a internet, para o transporte por aplicativo, para a cerveja e a alimentação no estádio…

Se o torcedor mais “endinheirado” pode pagar, que seja oferecida uma experiência diferenciada da hora que sai de casa até o retorno. Transporte seguro e confortável, alimentação e bebidas de qualidade (coloca até garçom!), GNV ultra-mega… é fazer a pessoa se sentir especial.

Se o torcedor (como a maioria de nós) tem que contar os tostões para pagar as contas, além dos setores com preços populares no estádio – e as modernas arenas permitem a setorização –, que sejam credenciados bares para transmissão dos jogos em toda a cidade e, ali, que tenha descontos para o sócio torcedor. Bom para o bar, para o Clube e, mais importante, para o torcedor que não pode pagar o pay per view ou ir a todos os jogos.

Se o artigo do O Globo tem o grande mérito de mostrar valor do futebol no Brasil, o papel dos clubes – e, especialmente de um clube tão popular como o Atlético – é buscar alternativas para que o seu Torcedor, a Massa, estejam sempre por perto.

 

Afinal, não é só futebol.

Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

3 comentários em “O preço de ser um torcedor alvinegro

  • 21 de maio de 2019 em 14:34
    Permalink

    Excelente, professor.

    Um grande abraço,

    Max Pereira

    Resposta
  • 22 de maio de 2019 em 13:13
    Permalink

    Professor?
    Com todo o respeito, é daí? Entendo seu alinhamento, mas vc tem visto os jgs do Galo?
    Q tal o custo/benefício desse atual time171?
    O Pastor PIPOCA, só como exemplo. Ñ era melhor ele ficar lá igreja dele, enganando os bôbos dos CRENTELHOS lá? Pq gol ñ é a dele…É melhor denominá-lo Pastor PREJUÍZO!
    O outro custo alto é a manutenção da MOÇOILA Fabíola Santa. Prá q precisamos de um jgador q passa o jg inteiro mostrando a tattoo subindo bunda adentro e entregando a rapadura? Quem compra ingresso prá ver isso?
    Cazares pelos menos faz uns golzins bonito de vez em quando, além de dá lucro ao alambique…
    Isso sem falar de uma barca q Ñ VALE NADA!
    Professor, qnt vale a dedicação da Torcida ao CAM?
    Abs!

    Resposta

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