NÃO tem que ser sofrido! Por: Lucas Tanaka

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Quarta no Mineirão, tivemos mais uma exibição pífia do time comandado por Levir Culpi.
Não quero aqui nesse texto ficar falando de esquema tático, pois não vejo tática nesse time do Galo, muito menos quero fazer uma narrativa do jogo.
A minha intenção aqui é apenas destacar algumas observações sobre como se comportou o time na última noite.
Pois bem, ao contrário de muitos que acreditavam em uma goleada, eu já imaginava um jogo difícil para o Galo, não por conta do adversário que iríamos encarar, mas pelo nosso desempenho nos últimos jogos, tanto no Campeonato Mineiro quanto na Libertadores.

Minha primeira observação é que o problema já começa na falta de estudo da comissão técnica do Galo sobre os adversários. No caso do jogo de ontem, o Zamora.
Tenho certeza que se tivessem feito uma análise do nosso adversário, Levir não manteria Fábio Santos no time, já que ele não é mais um menino e tem sérias dificuldades na marcação de atacantes rápidos, totalmente no mano a mano, como foi contra o ponta direita do Zamora. O primeiro gol do time venezuelano teve início justamente em um contra-ataque vindo da parte esquerda defensiva do Galo, até a bola ser cruzada e cair nos pés do ponta esquerda do adversário, que passou com uma facilidade tremenda pelo Guga, outro jogador que estava totalmente sem proteção.

O primeiro tempo do time foi vergonhoso, jogadores totalmente apáticos, andando em campo, sem saber para onde ir, sem guardar posição e sem obediência tática alguma. Poderia aqui citar o péssimo primeiro tempo do josé Welison que não conseguiu fazer o que se esperava dele, que era dar proteção a zaga e cobertura aos laterais. O fraco primeiro tempo dos nossos dois laterais, o sumiço do Maicon Bolt, a sonolência do Cazares e a solidão do Ricardo Oliveira que às vezes parece jogar em uma ilha de tão distante que o time fica dele. Poderia também chamar a atenção da dupla de zaga, que tomou um gol de um cara de 1,65m. Mas tudo isso é apenas o efeito da causa.

Dessa forma, um time que é mal treinado faz com que o coletivo não apareça e o coletivo não aparecendo começam a aparecer os erros individuais. Quando um time não tem padrão ou esquema tático, seus jogadores não sabem o que fazer em campo. Falta compactação, proximidade das linhas tanto no momento ofensivo quanto no defensivo e tudo isso faz com que aconteça o que estamos vendo no Galo hoje.
Vários jogadores com qualidade, que já se destacaram em outros times, estão sendo queimados aqui. Isso tudo é o efeito de um time nitidamente mal treinado.
A causa a ser tratada, o mal a ser cortado pela raíz se chama Levir Culpi! Mais um ponto de obervação é que no segundo gol sofrido, tivemos um time com uma linha totalmente alta sem exceção dos dois zagueiros, que estavam no campo de ataque.
Esse fato mostra mais uma vez que a comissão técnica não estudou o adversário, pois isso era tudo que o Zamora queria: linhas altas para sair no contra-ataque.

Ontem a virada não veio na tática, veio na superação e na técnica individual dos jogadores, porque inegavelmente nosso time é muito melhor que o Zamora, tecnicamente falando. Mas fica o sobreaviso que contra equipes melhores, quando a técnica for nivelada ou a tática não se sobressair, a raça pode não funcionar e nem sempre tem que ser sofrido.
Não tem que sofrer contra o Danúbio, ainda mais depois de abrir 3 a 0, não tem que sofrer contra Tupynambás, não tem que ter emoção sempre, futebol não se resume a sorte. Não é necessário sofrer contra um time da Venezuela, em casa, na fase de grupos, com todo respeito aos times venezuelanos.

Encerrando essa breve análise, o que mais me deixa apreensivo é que estamos em abril e ainda não temos um esquema tático definido. Não temos sequer uma dupla de volantes consistente, ou melhor, não temos um volante titular e não temos padrão. Ninguém sabe como o Galo joga, isso varia a cada jogo, e estamos chegando às fases decisivas do Campeonato Mineiro e no período onde decidiremos nossa vida na Libertadores.
Eximo nesse momento os jogadores de qualquer meia culpa, pois ao meu ver o mair culpado de tudo isso que estamos passando dentro das quatro linhas se chama Levir Culpi.

 

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Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

13 comentários em “NÃO tem que ser sofrido! Por: Lucas Tanaka

  • 4 de abril de 2019 em 15:22
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    É notório que a culpa é do ex-técnico Levir,mas nos torcedores não temos a caneta para demiti-lo, o máximo que podemos fazer é protestar, cabe a diretoria tbm enxergar a falta de organização do time em campo e tomar a decisão de demitir o técnico, pois ainda dá tempo de salvar o ano. O pior que tenho quase certeza do conhecimento da diretoria, mas falta atitude,comprometimento ou competência.

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  • 4 de abril de 2019 em 16:17
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    Boa tarde!

    Vou apelar para a teoria da conspiração! Será que esta sacanagem toda é uma vingança do Levir em razão de como foi dispensado na ultima vez que aqui esteve? Nem com técnicos piores que por aqui passaram, vimos tamanha má vontade e falta de comprometimento. Além da deficiência técnica, a parte física também esta deixando a desejar, reflexos de um trabalho mau feito. O Levir não é nenhuma sumidade, mas teria como fazer um trabalho melhor, no entanto o que temos visto é um total desprezo pelas coisas do galo. Basta ver suas entrevistas, se irritando com toda e qualquer pergunta que questione seu trabalho. CAbe a diretoria tomar as devidas providencias antes que seja tarde demais.

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  • 4 de abril de 2019 em 16:19
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    Boa tarde massa. Time pipoqueiro este time do galo. Começar com Levir e terminar Ricardo Oliveira. Levir simplesmente aposentou e não sabe.este não éo galo que conheço jogadores apáticos no campo e perdido.São 3 maiores ocupados pelo este timeco do galo. 7 câmera. Marques e levir. Aliás o marques esta se saindo um péssimo diretor de futebol que não tem peito para cobrar destes incompetentes.vamos ser chacota em 2019.não temos time temos é um amontoados de peladeiros e medianos. Se chegarmos no fim do rural vamos ser massacrados pelas Marias. Acorda diretoria. Acorda Levir. Vai galooo.

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  • 4 de abril de 2019 em 17:08
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    A culpa é do Levir? Que mudanças vocês fariam no lugar dele. Pediram o Guga e estão vendo que ele é talvez pior que o Patrick. Quem vocês colocariam pra mudar o time? Os jogadores é que são muito ruins. Não temos volantes que marcam. Ninguém marca nesse time

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    • 4 de abril de 2019 em 17:54
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      O maior culpado é o Levir sim. Você reparou como foi fácil e rápido para o Zamora chegar a área do Galo para finalizar e fazer os gols? Reparou como a zaga estava completamente desprotegida? É notória a superioridade técnica dos jogadores do Galo em relação ao Zamora. E foi isso o que prevaleceu no segundo tempo. O galo não tem esquema tático. Se tivesse algo próximo disso, o Levir não precisaria sequer ter estudado como o time adversário joga. Mas não fez nem uma coisa, nem outra. O ponto mais fraco do time hoje é seu técnico.

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  • 4 de abril de 2019 em 19:25
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    Pessoal, com respeito a todos os comentários, ninguém mencionou que o GALO tem um time de veteranos, não aguentam o ritmo de times mais jovens, não tem intensidade. Não sei como a diretoria não enxerga isso.

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  • 4 de abril de 2019 em 19:38
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    A CULPA É DO LEVIR CULPI QUE NÃO TEM NENHUM ESQUEMA . O TIME EM CAMPO É UMA BAGUNÇA . UM TÉCNICO SUPERADO E IGNORANTE , POIS NAS ENTREVISTAS FICA AMEAÇANDO OS REPÓRTERES.
    Os repórteres deveriam enquadrar logo esse sujeito mal educado e jogar duro nas perguntas , mas parecem que tem medo.
    Outra coisa é a Preguiça de vários jogadores , CAZARES então fica quase que dormindo a maior parte do jogo , isso é uma vergonha e deveria ser multado por fazer corpo mole. Ontem por ex só LUAN e J. WELLISON JOGARAM com raça e vontade , o restante só na boa. O CONFORTO DO CT DO GALO ESTÁ FAZENDO MAL A ALGUNS JOGADORES . SÓ QUEREM MORDOMIA E RECEBER O SALÁRIO .
    Caso formos para a final do C. MINEIRO , já estou com medo de tomar uma goleada dos Azuis , pois o time deles é muito melhor que o nosso.

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  • 4 de abril de 2019 em 19:40
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    Infelizmente mais um ano assistindo o Atlético participar de campeonatos sem nenhuma ambição. O Atlético tem a mesma ideologia do Santos, vender jogadores. Entra ano e sai ano e sempre as mesmas coisas, o dirigentes do Atlético não faz questão de levar o clube ao cenário ainda maior. Fica aí satisfeito em participar de competições e vender jogadores para os empresários encherem os bolsos.

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  • 4 de abril de 2019 em 19:44
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    Primeiramente gostaria de ver o Guga sendo treinado por outro tecnico.o levir,na minha opiniao,e o culpado pelo terror que vivemos a cada jogo,ultrapassado,ranzinza,egocentrico e por ai vai.como jogar com dois volantes e nenhum marca em frente da zaga e cobre as laterais.os volantes sobem para o ataque e quando voltam a vaca ja foi pro brejo.o entao artilheiro do campeonato,cria da base tao criticada,eu inclusive,vai para o banco para um jogador de 40 anos.e que nem gols esta fazendo.desprezou o Datolo e indicou outro volante,peixe dele,desconhecido.e o neto tambem da base nunca vai jogar.MEU NOME COMPLETO ESTA ESTAMPADO NESTE BLOG,NAO VOU SAIR E ESTAREI AQUI QUANDO O GALO,SE FICAR COM O BURRO ATE O BRASILEIRO ,VAI PERDER OS TRES PRIMEIROS JOGOS.TENHO 62 E NUNCA VI TANTOS TORCEDORES REVOLTADOS.NEM EM 2005.BOA NOITE.

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  • 4 de abril de 2019 em 20:02
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    o nene do sao paulo esta indo para o Fortaleza.e o Galo contratando mais um volante.

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  • 4 de abril de 2019 em 23:29
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    Não sei vocês, mas eu acho que Levir já está com os dias contados no Galo. O time não dá um sinal de melhora e o técnico não mostra nenhuma vontade de repensar seus conceitos e fazer alguma coisa diferente. Se a demissão de fato acontecer, eu apostaria no Enderson Moreira. Ele está livre no mercado, e vem de trabalhos bons no Bahia e no América. Acho que ele daria uma cara nova pra esse time.

    Saudações Atleticanas!

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  • 8 de abril de 2019 em 10:58
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    ASsino embaixo. Não é preciso ser sofrido.

    UM BURRO COM SORTE !!! OU DE COMO A MASSA FOI DA FÚRIA E DA AGONIA AO ÊXTASE !!! SERÁ QUE FREUD EXPLICA?

    Diante de mais 40 mil olhares ansiosos e sofridos e do estupor de outros milhões de atleticanos que acompanhavam pela televisão tudo o que aconteceu no primeiro tempo dessa estranhíssima e quase fatídica partida contra o Zamora, o Atletico jogou, talvez, os mais tenebrosos 45 minutos de sua história.

    De um lado, o Zamora, time organizado, bem postado em campo, com suas linhas definidas, com cada jogador sabendo o que deveria fazer e que mostravam estar bem informados sobre o Atletico, porque, com a posse de bola, exploravam sabiamente as deficiências do Glorioso.

    De outro, o Atletico, um time batido, impotente, burocrático, previsível, desarrumado, com imensas dificuldades de compactação e de articulação e que deixava buracos por dentro e espaços nos flancos, muito bem explorados pelo adversário que fustigou constantemente o alvinegro com contra-ataques perigosíssimos.

    Foi assim que a equipe venezuelana construiu uma vantagem aterradora para o mundo atleticano.

    Alguns jogadores atleticanos em suas coletivas se mostraram surpresos com o time do Zamora, evidenciando total desconhecimento da equipe venezuelana.

    O time atleticano literalmente chegou ao fundo do poço. Moral e emocionalmente destroçado, o Atletico viu, impotente, a autoestima dos seus jogadores afundar muitos furos abaixo das travas das suas chuteiras.

    Catatônica, a massa presente ao Mineirão experimentou, por sua vez, uma sensação estranha e muito ruim, certamente uma das mais impactantes que vivenciara até então. Uma sensação que misturava toda a sorte de sentimentos negativos e estranhos.

    Decepção, raiva, frustração, angústia, impotência, ódio, sofrimento, tristeza profunda, infelicidade, se misturavam, deixando um seco amargo na boca e na garganta.

    Embora não conhecesse ninguém à minha volta, não me sentia sozinho. É que aquelas pouco mais de 40 mil pessoas estavam experimentando exatamente tudo aquilo que eu, frustrado, humilhado e derrotado, também vivenciava: uma impotência angustiante.

    Impotência minha enquanto torcedor condenado apenas a gritar, a xingar, a desabafar e a sofrer nas arquibancadas, SEM NENHUM PODER DE FOGO REAL PARA, EFETIVAMENTE, INTERVIR NOS DESTINOS DO CLUBE.

    Impotência de um time mal treinado, mal orientado, mal cuidado, abandonado à própria sorte e, quase sempre, condenado a mudar a história de seus jogos seja, quem sabe, contando com a bênção fortuita dos deuses do futebol, seja com a ajuda da sua torcida, que sempre acredita, torce contra o vento e vem junto, como aconteceu nesse último jogo contra o Zamora e em outras oportunidades inesquecíveis.

    Impotência de um clube historicamente mal administrado, submerso em crises crônicas, premido por uma dívida crescente e sempre mal gerida, sem projeto e sem filosofia de um time vencedor e campeão, assunto para um texto específico.

    Impotência de um treinador pirracento, teimoso, vaidoso, birrento, arrogante, superado e cujo ego é maior do que qualquer coisa.

    Pensei em ir embora ainda no primeiro tempo quando o Atletico ainda perdia por apenas 1 x 0. Desistir é um verbo que jamais gostei de conjugar. Desistir é algo que também não está no vocabulário de uma torcida que, não só torce contra o vento, como já o derrotou. Fui ficando.

    Veio o segundo gol do Zamora e o teatro de horrores parecia não ter fim.

    Fim do primeiro tempo e dirigi-me em direção ao fosso de saída. Confuso e profundamente machucado não queria continuar vendo aquilo tudo. Cheguei a descer alguns degraus. Algo muito forte ainda me segurava ali. Voltei. Fiquei parado diante da saída, olhando o gramado e o banco atleticano, agora vazio.

    Os reservas se movimentavam e brincavam de “bobinho”, “peru” para os mais antigos. Não havia nenhuma sinalização de que Levir mexeria no time.

    Pensei em algumas mexidas, que a meu ver eram necessárias para dar ao time algum poder de reação. A primeira delas, seria sacar Guga que estava jogando muito mal e se queimando por não saber marcar. Imaginei que Luan poderia ser recuado, abrindo espaço para Chará entrar jogando de forma aguda pelo flanco direito, com liberdade para inverter com Bolt.

    Essa opção poderia ser associada a outra substituição: a saída de Elias, muito marcado pela massa e já desgastado fisicamente, fazendo entrar em seu lugar o meia Nathan, cujo senso tático é absurdo.

    Ou então simplesmente trocaria Guga por Patric e sacaria também o Elias, pelas razões já expostas, fazendo entrar Chará pelo flanco e trazendo Luan para flutuar por dentro.

    O Atlético tinha outros problemas que também poderiam sugerir outras alterações. Rabelo, que no chão beirava à perfeição, pelo alto falhava e não inspirava confiança.

    Enquanto Fábio Santos purgava em seu inferno astral, Cazares parecia não entender que se jogava um jogo de Libertadores e Bolt parecia um estranho no ninho.

    Alguma coisa precisava ser feita. Mas, nesse sentido, nada foi feito no intervalo.

    Resolvi esperar os primeiros 10 minutos para ver com que astral o time voltaria para a etapa complementar para decidir de vez se iria embora ou não.

    O time que, no primeiro tempo, com exceção de Luan, não conseguia mostrar espírito de Libertadores, abundante no adversário, realmente voltou diferente, intenso, bem mais vertical.

    Aos 5 minutos Bolt, recebendo uma assistência do Menino Maluquinho que sintetizou na construção da jogada, que o Atletico realmente tinha voltado diferente, marcou o primeiro gol atleticano. Uma cabeçada fulminante que começava a exorcizar a raiva, a angústia que ainda pairavam no ar.

    Não comemorei como de costume. Ainda estava negativamente impactado. O que havia sentido era muito forte e muito ruim.

    Levir que no primeiro tempo foi uma figura patética, acabou por fazer duas alterações ao mesmo tempo surpreendentes, quanto ousadas: tirou os dois volantes, Elias e Zé Welisson, no momento em que o segundo jogava melhor, e colocou dois meias de ofício, Nathan e Vinicius Góes em seus lugares.

    É verdade que Welisson, já amarelado, dava sinais de um nervosismo preocupante e que Elias já se mostrava cansado. Mas que as alterações promovidas por Levir assustaram, lá isso assustaram. E ficava uma pergunta que não queria calar: sem Welisson principalmente ou sem um volante marcador, a defesa não ficaria muito exposta?

    “Burro! Burro! Burro! Ouviu-se aqui e ali. Descansados, focados e intensos, Nathan, meia atacante de origem e possuidor de um aguçado senso tático, e Vina, armador por excelência, deram mais qualidade na saída de bola do Atletico e permitiram que Cazares, clássico, frio por natureza, porém extremamente talentoso, jogasse menos sobrecarregado e flutuasse com mais frequência pelo flanco esquerdo, enquanto Bolt afunilava e caía por vezes no comando do ataque, como, aliás, já o tinha feito quando marcou o primeiro gol alvinegro.

    Vinicius é um típico meia de articulação, de passes curtos e certeiros, daqueles que, na gíria do futebol, “ pica” a bola. A verdade é que a estratégia de Levir funcionou. Afinal o “burro” tinha mesmo muita sorte.

    O time não só não perdeu a intensidade, como também não ficou mais frágil defensivamente. Luan e Bolt recompunham, o primeiro às vezes por dentro quando era necessário e o segundo sempre mais pelo flanco, assessorando F. Santos.

    Veio o gol de empate em uma jogada que revelou que o Galo já havia conquistado a cumplicidade dos deuses do futebol. A bola, chutada por R. Oliveira se desvia fortuitamente em Vinicius que havia se projetado para a posição de centroavante, e vai morrer no fundo do gol venezuelano, com o bom goleiro do Zamora inteiramente vendido no lance.

    Eu ainda não conseguia vibrar como de costume. Mesmo vendo o time, tal como uma fênix, ressurgir das cinzas e começar a materializar uma virada, histórica e hercúlea, diante de tudo o que aconteceu no primeiro tempo, eu ainda estava muito mexido com tudo aquilo.

    Àquela altura a massa já jogava junto de forma ensandecida e cantava a plenos pulmões que o Galo era o time da virada, era o time do amor. Ninguém havia desistido. Ninguém tinha arredado o pé do Gigante da Pampulha.

    Mesmo machucada, maltratada, a massa se manteve presente, acreditou e lutou contra o tsunami que arrasou o time e ela própria na etapa inicial, até que uma brisa leve e perfumada começasse a soprar e a acarinhar aqueles rostos sofridos, muitos ainda encobertos por lágrimas e salpicados pelas derradeiras rugas que insistiam em moldurar seus semblantes inda tão perturbados.

    Sem ser brilhante, mesmo porque era impossível ser plasticamente exuberante naquele jogo, o Atlético conseguia envolver e se impor ao adversário. Os cinco homens responsáveis pela armação e criação, a partir da mexida dupla de Levir, conseguiam flutuar com relativa eficiência e o terceiro gol, o da virada, parecia que não iria demorar.

    E ele veio mesmo em uma jogada que refletia o que estava acontecendo em campo. Ao cair e se embolar com a bola, carregando-a com as mãos dentro da grande área, o defensor venezuelano, mostrou o quanto o Zamora, que havia resistido garbosamente até aquele momento, estava sucumbindo e se prostrando aos pés do Galo Forte Vingador.

    Mostrando uma personalidade incomum, Fábio Santos enfrentou a desconfiança da massa e bateu o pênalti com extrema categoria.

    Com a vantagem, Levir sacou Luan, muito cansado e desgastado, e agora, mais conservador do que nunca, faz entrar Jair.

    Com isso, Bolt foi definitivamente para a direita e Cazares se fixou mais pelo lado esquerda, deixando para Vinicius e Nathan a responsabilidade pela articulação por dentro.

    O Mineirão já funcionava como um catalizador da energia que milhões de atleticanos espalhados em todos os rincões do planeta enviavam para lá.

    E as pouco mais de 40 mil antenas, vestidas de preto e branco, ali presentes, funcionavam como amplificadores.

    Era uma energia nervosa, tensa, mas vibrante, intensa, poderosa. Era também ao mesmo tempo desconfiada, mas cheia de fé. Algo esquizofrênico como a própria massa o é.

    Ninguém gritou “eu acredito”. Mas todos acreditavam, queriam e precisavam acreditar.

    Assistindo depois os melhores momentos pela Fox, vi que o narrador Téo José, ao gritar “eu acredito”, quando narrava os gols atleticanos, parecia entender o confuso e sofrido espírito atleticano.

    E, se não fosse o egoísmo de Oliveira, o Atletico poderia ter marcado o quarto gol. Bastaria ter rolado a bola para Nathan que havia se projetado e que fatalmente concluiria em gol. Oliveira preferiu chutar sem ângulo e o goleiro espalmou para fora, cedendo escanteio.

    Indo da fúria e da agonia ao êxtase, a massa atleticana foi do inferno ao céu. E Levir, nocauteado pelos seus próprios defeitos e erros, foi salvo pelo gongo. É de fato um burro com sorte.

    O futebol extremamente ruim daquele primeiro tempo e todos sentimentos negativos que despertou ainda incomodam e vão continuar nos incomodando por muito tempo.

    Essa impressão muito ruim, somada ao fato de que o Zamora não é de fato um time tradicional e de primeira linha nos cenários sul-americano e mundial, faz com que muitos torcedores atleticanos não consigam perceber a importância e, principalmente, o tamanho daquela virada.

    Só algum tempo depois do jogo e vendo outras partidas da própria Libertadores, nas quais times festejados por possuírem elencos mais qualificados e com mais opções que o do Atlético, não só perderam os seus jogos, inclusive em seus domínios, como o Flamengo, mas e, principalmente, se mostraram impotentes diante de adversários ou de menor tradição, ou tecnicamente menos prendados, é que pude valorizar com justiça o feito atleticano.

    A recuperação do time dentro do próprio jogo, depois de ter descido furos e furos abaixo do fundo do poço no primeiro tempo e a imorredoura capacidade da massa de lutar contra o vento e as tempestades, derrotando até um tsunami daquela proporção, foram algo realmente impressionante e merecedor até de uma tese de doutorado.

    Uma coisa é certa: sem a miraculosa reenergização do time, graças à extraordinária fé e a infinita paixão de uma torcida que sofre, mas não entrega os pontos nunca, a virada não seria possível.

    Geovânio, pela primeira vez titular e no Mineirão com o manto sagrado, percebeu isso e, após o jogo, se rendeu à massa.

    Massa e Galo, uma simbiose explosiva e poderosa. Será que Freud explica?

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