Montanha-Russa Alvinegra – Por Tâmara Santos.

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Não tem sido fácil estar na pele do torcedor atleticano nos últimos anos. Após um período de reformulações que resultaram em títulos, o torcedor amarga a vida confusa e cheia de incertezas. A era vitoriosa teve um preço alto, as contas chegaram e acarretaram um problema que vem assombrando todos nós: a necessidade de austeridade financeira (controle de gastos) pregada pela atual diretoria X a vontade de ser campeão. Para entender o cenário, vou fazer um breve resumo:

 

  • A era Kalil: Após sofrer uma goleada massiva contra o rival, o ex-presidente atleticano prometeu grandes mudanças. Atendendo ao clamor da Massa, Kalil contratou grandes jogadores, bancou a comissão técnica, coordenou com pulso firme a equipe e os resultados vieram. Nitidamente nada disso foi de graça… É maravilhoso conquistar títulos, porém, quando não existe uma gestão focada em administrar o capital que entra e que sai, rapidamente o clube se vê atolado em dividas e isso acaba acarretando grandes problemas. Assim que abandonou o cargo para focar na carreira de político, Kalil deixou como herança uma grande dívida para a nova gestão, além de ter acostumado o torcedor com a falsa idéia de que o Atlético é capaz de contratar sem responsabilidade e manter um elenco milionário.

 

  • A era Nepomuceno: Vivendo ainda nos resquícios do trabalho do Kalil (tendo em mãos um elenco bom, uma comissão técnica competente e uma equipe equilibrada), Nepomuceno ainda conseguiu dar alegrias aos atleticanos na conquista da Copa do Brasil. Ainda assim, naquela altura, alguns problemas já começavam a ser expostos e o ‘caldo’ começava a engrossar. Além de sofrer algumas perdas importantes, a situação na diretoria de futebol não estava boa pois o importantíssimo Eduardo Maluf, que até então era responsável pela diretoria de futebol, estava enfrentando problemas de saúde e não podia se dedicar ao Atlético como antes. O próprio presidente parecia tentado à carreira política e nem sempre estava ali, mas mesmo assim, teve a responsabilidade de anunciar as dividas juntamente seu compromisso em saná-las. O cenário estava mudando e isso ficava cada vez mais nítido. A diretoria já não tinha o elenco sob controle, não passava confiança para torcida e os ânimos estavam abalados. A partir de 2015 a coisa piorou, o elenco já não era mais o mesmo, muitos técnicos vinham e iam num piscar de olhos. Depois de investir muito em 2016 e não receber nenhum retorno, a ‘crise’ tava instaurada e a situação estava demasiadamente desgastante. 2017 foi igualmente fracassado e ainda deixou uma ferida imensurável: a perda do saudoso Eduardo Maluf que faleceu em prol de um câncer e consequentemente resultou na abertura de uma cratera no cargo de Diretor de Futebol. Daniel Nepomuceno deixou o comando do Atlético sob muitas criticas e sem deixar saudades.

 

  • A nova era, Sergio Sette Câmara e sua nova filosofia de gestão: Desde que assumiu o cargo, o presidente deixou claro que seu foco seria totalmente na gestão financeira do clube e na construção da Arena MRV. Muitas vezes deu declarações polêmicas e inclusive chegou a dizer que não entende de futebol, desdenhou de competições e prometeu títulos que não conquistamos, o início da gestão foi marcado pelo sentimento frustrante de estar fadado ao “quase”. A primeira escolha errada do advogado foi justamente para o cargo mais importante num clube: o Diretor de Futebol. Sérgio confiou o cargo ao amigo Alexandre Gallo que após muitas burradas (dispensa de jogadores importantes, muito dinheiro gasto com jogadores bem abaixo da média, entrevistas ridículas e etc.) foi demitido dando lugar ao ídolo atleticano: Marques. Apesar de pregar austeridade financeira, a diretoria conseguiu arrumar as maiores burradas feitas pelo Alexandre Gallo e o elenco para 2019 parece estar mais equilibrado que nos últimos anos, apesar de ter algumas carências, é nítido que pode mostrar bom futebol. Mas o foco aqui é outro assunto: O jeito Sette Câmara de presidir. A torcida precisa entender antes de qualquer coisa que o período 2013–2014 ficou para trás e que atualmente nossa realidade é outra. O Clube está dando passos largos para a construção do estádio a custo ZERO e isso é mérito do Sette Câmara. Por outro lado, o presidente precisa entender que se ele não entende de futebol e presideum Clube de futebol, o MÍNIMO que ele deve fazer é ter alguém que entende MUITO do assunto ao seu lado. A diretoria de futebol serve para isso e é lá que deve ser o foco das mudanças uma vez que a ferida aberta pela perda do Maluf ainda não foi curada. Outro grande problema dessa gestão (igualmente a anterior) é a falta de pulso firme para tomar e bancar suas decisões. Falta convicção e isso acarreta diversos problemas, um deles é a falta de segurança no elenco. A torcida impaciente faz birra e o presidente acata as vontades. É muito amadorismo junto…

 

O maior reflexo dessa falta de pulso firme acarreta o maior problema enfrentado pelo time desde 2013: A falta de planejamento por parte da diretoria resulta na dança das cadeiras no comando técnico.

Como disposto na tabela a seguir, num período de 6 anos, o clube teve 12 técnicos diferentes (por duas vezes foi assumido interinamente por Diogo Giacomini).

 

É complicado um time obter um padrão de jogo, apresentar um futebol constante e os próprios jogadores se entenderem, se não existe estabilidade no local de trabalho.

Uma empresa precisa buscar as melhores condições de trabalho para seus funcionários para que possa obter sucesso em seus lucros, um time de futebol não é diferente. Quando um técnico consegue entender o elenco que tem em mãos, quando começa a definir seu padrão de trabalho, quando começa a entrosar o time, fatidicamente perde 1 ou 2 partidas e o que acontece? É demitido. Isso não deveria acontecer. Analisando a tabela acima, podemos perceber que muitas escolhas erradas foram feitas, muitas decisões foram equivocadas, porém, até quando vão pensar que o problema é só o técnico? Quantos jogadores são imunes a criticas enquanto outros são individualmente responsabilizados por todos os problemas do time?

O problema do Atlético é mais complexo do que simplesmente trocar de técnico. Por mais austerista que a diretoria seja, ela precisa entender que o Clube precisa se manter bem e que a torcida quer resultados. O processo começa internamente: é preciso arrumar a bagunça na direção. Na tarde de hoje, após quase 2 anos improvisando alguém no cargo, foi anunciada a contratação de um diretor de futebol. Isso é normal para um clube grande? Mais um técnico foi demitido (dessa vez corretamente — apesar de que sua chegada em 2018 foi completamente equivocada), quem será o próximo a assumir essa responsabilidade? A diretoria vai ter peito para bancar a permanência desse técnico a exemplo de outros times vitoriosos (Grêmio com Renato Portaluppi, Cruzeiro com Mano Menezes e etc.)? A torcida vai começar a cobrar os jogadores também? Pois a maior responsabilidade é de cada um. Quantos jogos foram perdidos por erros individuais? Quantas vezes perdemos um jogo porque um jogador não estava no “seu dia”? Um clube grande não pode continuar nesse marasmo. Após o time ser goleado na libertadores, resultando na demissão do técnico, o que aconteceu com o elenco? Normalmente deveriam treinar, serem chamados atenção, ou qualquer outra atitude cabível a situação para que o problema não se repita, correto? Mas aqui no Atlético a vida é boa demais então o elenco teve folga. Mais uma vez pergunto, isso é normal para um clube grande?

A gente gosta de dizer que “se não é sofrido, não é Galo” mas essa burrice têm que ser deixada para trás. Esse discurso era cabível quando o Clube passava por dificuldades, não tinha um elenco bom, precisava contar com a raça porque o talento era escasso. Hoje em dia o Clube tem a melhor infraestrutura do país, jogadores de alto nível, salários altos e deveriam jogar da maneira que foram contratados pra jogar. O torcedor precisa acordar, cobrar, e não aceitar mais situações ridículas que expõe a gente ao ridículo, nós somos os principais atingidos. O Atlético Mineiro é maior que qualquer um que passar por aqui, mas nós ficaremos para sempre, uma vez até morrer, lembra?!

Após as decisões tomadas no dia de hoje, a diretoria assume um compromisso de mudança, uma nova postura e espero que ela tenha maturidade e peito suficiente para lidar com suas escolhas. Chega de focar os fracassos em uma pessoa, chega de decisões precipitadas, é hora de voltar a ser gigante. Temos a primeira final do ano chegando, o brasileirão está batendo na porta, temos a copa do Brasil e ainda a remota esperança de avançar de fase na libertadores. O time precisa tomar postura e parar de ser tão frouxo e inconstante. Nós temos que exigir resultados pois já foi provado que eles têm capacidade. Vamos entender e aceitar a nova era, para que o Atlético possa seguir prosperando e honrando o nome de Minas, coisa que não faz a um tempo.

 

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Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

Um comentário em “Montanha-Russa Alvinegra – Por Tâmara Santos.

  • 12 de abril de 2019 em 07:56
    Permalink

    Tâmara, estamos indo para o oitavo técnico em três anos e quatro meses, todos tem um ponto em comum, não deu liga não conseguiram dar um padrão de jogo ao time pois caíram no mesmo erro e mantiveram uma panelinha maldita.
    Entra técnico e sai técnico e a panelinha continua e quem são?
    1- Victor visivelmente mal treinado precisamos de um preparador de goleiros novo.
    2-Leo Silva a idade pesa por isso comete faltas e pênaltis bobos.
    3-Fabio Santos ex jogador em atividade
    4-Elias ex jogador em atividade
    5- Adilson não entra forma nunca
    6- Cazares só joga contra time pequeno, some em jogo grande não tem poder de decisão nenhum.
    Se insistir com essa panelinha vai ser mais um técnico a cair, Fábio Santos, Elias e Cazares não tem conserto tem que vazar do Galo urgente!!

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