Sérgio Sette Câmara: herança obscura, austeridade, erros e qualificação de departamentos importantes - FalaGalo

Sérgio Sette Câmara: herança obscura, austeridade, erros e qualificação de departamentos importantes

 

 

Silas Gouveia e Prof Denílson Rocha
Do Fala Galo
02/01/2020 – 06h15
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Já se vão dois anos da gestão Sette Câmara à frente do Atlético. Da entrevista inicial, da qual ficou a marca da “austeridade”, até os últimos pronunciamentos, a relação entre presidente e torcida é bastante conflituosa. Os erros esconderam os acertos e as frequentes críticas deram pouco espaço aos elogios. Neste último ano do mandato – e possível reeleição –, há esperança de que os acertos sejam maiores e os resultados comecem a aparecer.

O novo eleito à presidência do Galo tinha uma herança maldita. Na gestão do Clube, dívidas, receitas antecipadas, cobranças, riscos de punição, receitas em queda. No futebol, um time que fracassou no Campeonato Brasileiro e não conseguiu vaga para Taça Libertadores de 2018, mesmo contando com atletas consagrados. O fracasso esportivo teria consequências importantes nas finanças, já que participar da principal competição de futebol na América do Sul gera receitas de bilheteria, premiação e exposição da marca. Porém, a situação de calamidade não pode ser tratada como “desculpa” para o que vinha pela frente: como conselheiro e integrante da gestão do Atlético há muitos anos, o Presidente não apenas deveria conhecer profundamente a condição do Clube como tem parcela de responsabilidade, ao menos no papel fiscalizador que deveria exercer como conselheiro.

A primeira entrevista e as primeiras medidas davam mostra do que viria pela frente: o controle das contas seria rigoroso. A prioridade seria o pagamento das dívidas, especialmente as que já levavam a condenações na FIFA e traziam o risco de punições. Não haveria grandes contratações e a primeira leva de atletas contratados veio por empréstimo ou estavam sem vínculos. Muitas apostas e, como qualquer aposta, poucas trouxeram resultados positivos. Logo de início, a saída do centroavante Fred, que se transferiu ao maior rival, gerou muitas polêmicas, críticas e questionamentos. O tempo, “senhor da razão”, mostrou um grande acerto ao liberar o atleta e uma jogada de mestre ao levar o caso para a Câmara de Arbitragem – instância muito mais ágil para solução da disputa.

No campo esportivo, os dois anos da gestão Sette Câmara foram de surpresas. A expectativa para 2018 era das piores e terminou com uma vaga à Copa Libertadores. Já 2019 trazia maiores esperanças e termina com um desempenho pífio. As trocas de treinadores permanecem (desde a gestão anterior) uma constante. Profissionais com perfis bastante distintos mostram que falta clareza quanto ao objetivo para o Clube e ao modelo de jogo a ser adotado. Com isso, convivemos com ex-treinadores em atividade e estagiários. Demonstração inequívoca da falta de clareza quanto ao que buscam para o futebol.

A gestão do futebol foi entregue ao sr. Alexandre Gallo. Com toda a história que possuía no futebol, mostrou-se sem competência suficiente para assumir um time com o tamanho, a história, os problemas e as exigências do Atlético. Tomou muitas decisões equivocadas até deixar o cargo.

Rui Costa assumiu a diretoria de futebol em abril de 2019. O novo diretor chegou como “bombeiro” para controlar o momento conturbado que o time passava. Chegou com um currículo vasto e com imagem de competência. Chegou trazendo muitas expectativas e, em pouco tempo, cobranças – parte delas, injustas. Enquanto a torcida esperava medidas enérgicas, contratações e saídas de jogadores e mudanças profundas no departamento de futebol, o diretor teve postura tão calma e paciente que chegou a tirar a nossa paciência. Mesmo reconhecendo que o elenco é desequilibrado e tem peças sem qualidade para vestir o manto Alvinegro, em um clube financeiramente combalido, o diretor tinha pouco a fazer para rescindir contratos em vigor (isso tem custo), seja para novas contratações (que também tem custo). Nas poucas contratações, um erro grosseiro: o Clube precisava de contratações para jogarem imediatamente. Ao buscar estrangeiros, não considerou que os atletas precisariam de tempo para adaptação. Mas cabe uma ressalva ao trabalho do diretor: o Atlético deixou de contratar o lateral Felipe Jonathan e, posteriormente, investiu valor superior em Lucas Hernández. Crítica justa, mas endereçada à pessoa errada pois Rui Costa não estava no Atlético quando da negociação com o lateral cearense. Ou seja, essa conta é do presidente. O final de 2019 mostra o começo da reestruturação do elenco profissional do Atlético, com várias saídas (Elias, Geuvânio, Luan, Léo Silva…) e a aposta em algumas promessas da base.

Por sinal, as categorias de base tiveram uma contratação muito mais ativa: o diretor da base, Júnior Chávare, fez uma verdadeira revolução, com dezenas de dispensas e contratações de jogadores. Fez uma profunda mudança nas categorias de base, ampliou a captação de atletas e investiu em empréstimos com opção de compra. Alguns jogadores se destacaram e estarão no grupo profissional em 2020. 

Enfim, na base ou no profissional, as mudanças precisam de tempo para que os resultados sejam avaliados. A base teve alterações mais intensas e os resultados podem surgir mais cedo. Já o profissional convive com contratos e valores mais significativos, e maiores restrições para mudanças radicais. De qualquer maneira, Rui Costa e Júnior Chávare tiveram seu tempo para adaptação e planejamento para atuar de forma mais incisiva a partir de 2020 e serão cobrados por isso.

Fora de campo ficaram as maiores e mais importantes mudanças no Atlético – e os maiores acertos do presidente Sette Câmara. Muitas substituições e muitas contratações de profissionais bastante qualificados para diversos cargos-chave no Clube. Sem estardalhaço, aos poucos o Atlético vai sendo profissionalizado. Além da qualificação dos profissionais do quadro interno, também foram firmadas “parcerias” importantes para análise de dados e comportamento do “consumidor” (torcedor), para oferta de experiências de consumo, para gestão integrada e, ao final de 2019, para o planejamento estratégico. Foram firmados contratos com empresas de referência em suas áreas, como SAP e EY.

Há evolução significativa em várias áreas: foram firmados acordos ou realizados pagamentos de várias dívidas que se arrastavam há anos; não se fala mais em antecipação de receitas (até porque nem deve ter o que antecipar); custos operacionais estão melhor controlados; e as despesas financeiras estão sendo reduzidas. Mais importante, o Atlético vem recuperando sua credibilidade no mercado. Nada disso aparece ou chama atenção da maior parte da torcida. Assim como um político acha que investir em obras de saneamento não gera voto porque não aparece, investir em organização administrativa não faz o torcedor gritar o nome do Presidente. O torcedor quer títulos, mas a tragédia do outro lado da Lagoa já fez muitos torcedores mudarem de opinião e reconhecerem a importância do que o atual presidente vem fazendo no Atlético.

Se há muito a elogiar, ainda há pontos a melhorar. A relação com a torcida pode ser bastante aprimorada. Já se fala em mudanças no GNV e elas precisam ser profundas – atualmente, o programa oferece pouco ao torcedor – e não estamos falando em ingresso. O acesso a produtos e serviços do Clube também merece ser melhorado. E, principalmente, é preciso ter mais transparência e clareza com relação ao que acontece no Atlético. Tanto o balanço quanto o orçamento são obscuros, não há publicação de balancetes mensais, não se sabe a real situação da instituição. A relação torcida-presidente seria muito mais fácil, amena e amigável se houvesse franqueza e transparência.

Em 2020, ainda teremos muitas dificuldades. São décadas de gestão amadora e não se resolve em pouco tempo. A caminhada é longa. Mas, se o presente ainda é nebuloso, o futuro parece promissor, com a Arena MRV, equilíbrio nas contas, organização administrativa. Até lá, precisa de muito trabalho, persistência e paciência. Enquanto isso, continuamos entre alegrias e tristezas, elogios e críticas, tapas e beijos.

12 comentários em “Sérgio Sette Câmara: herança obscura, austeridade, erros e qualificação de departamentos importantes

  • 2 de janeiro de 2020 em 11:12
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    Não adianta trazer jogadores para tapar buracos ou medalhões, tem que conciliar talento caráter personalidade e comprometimento com a profissão.
    E ultimamente em cada 10 , 5 não está nem aí pro clube e pra torcida se fizer recebe se não fizer faz churrasco e recebe e a cada da mãe Joana.
    Melhor avaliação nas contratações e não deixar empresários enfiar jogadores para ficar se recuperando no centro de treinamento , recebendo e arrebentando com o GALO.

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  • 2 de janeiro de 2020 em 13:04
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    Armando Ferreira.
    O artigo acima tem o mérito da racionalidade. Merece meu louvor.
    É muito fácil estragar. Já consertar é bem mais difícil, pois se parte de valor inferior a zero.
    Águas passadas não geram energia e esperemos dias mais amenos para o Galo.
    As coisas parece irem-se acertando e compete-nos ter um pouco mais de paciência.
    A contratação de técnico estrangeiro é acertada, tendo em vista que os nossos, sem exceção, estão+/- defasados. Eu contrataria um técnico português, tendo em vista que a escola de lá é muito boa e é o país no mundo que mais tem técnicos vitoriosos no exterior.
    Quanto ao mais, confiemos.
    Feliz Ano Novo para todos.

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  • 2 de janeiro de 2020 em 13:36
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    Texto passa pano ..
    Rui Costa não acertou em nenhuma contratação .

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  • 2 de janeiro de 2020 em 13:41
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    Caros, excelente análise! É exatamente isso! A maioria não consegue fazer essa análise mais crítica e julga o trabalho de um presidente pelos títulos ou de um diretor de futebol, pelos jogadores que contrata ou dispensa. São importantes, claro, mas não é só isso! Eu venho apontando pros amigos Atleticanos as mudanças profundas feitas na nossa base. Existem coisas boas acontecendo, e outras que precisam melhorar, mas acredito que o Galo está bem encaminhado. Acredito que o trabalho daqui a pouco dará frutos (títulos grandes). Simbora! SAN

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  • 2 de janeiro de 2020 em 16:32
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    Gestão Negra isso sim!!!
    É o maior incompetente que passou na história do Galo até hoje…
    Superou Afonso Paulino, Paulo Cury, Jacaré, e Nélio blant…

    Pior dos piores, sai fora infeliz!!!

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  • 2 de janeiro de 2020 em 16:53
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    boa tarde massa. para mim 7 câmera um dos piores presidente do galo. se não for pior. pelo menos o ziza pediu demissão. 2 anos sem ganhar um misero titulo. vergonha. e austeridade com bolt a ganhar quase 450 mil por mês. Nathan.ricardo Oliveira. patrick. Otero. Fábio Santos. therans. Victor. rever. estes são ex jogadores a muito tempo e ficam a passar férias no ct do galo. viva a austeridade diretoria. sobre a base do galo é uma piada última revelação Jemerson. talvez daqui mas 50 anos parece uma revelação. aff.

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  • 2 de janeiro de 2020 em 16:55
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    Não consigo enxergar austeridade onde em 2 anos de gestão a dívida só aumenta, e contratações bizonhas como Lucas Hernandez e Maicon Bolt continuam sendo feitas.
    Austeridade é investir e dar oportunidades aos jogadores da base gerando retorno técnico e financeiro, parar de contratar medalhão e jogador meia boca.
    Gostei da venda do Chará conseguiram recuperar o dinheiro investido e vai dar uma aliviada financeira.
    Para reposição do Chará já temos no elenco: Marquinhos, Otero, Bruno Silva, Bruno Michel, Alessandro Vinicius, Bruninho e Edinho ou seja 7 opções para o lado, antes de contratar tem que experimentar os garotos no campeonato Mineiro isso SIM É AUSTERIDADE.

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  • 3 de janeiro de 2020 em 10:26
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    Meu nome é Valeria Marco. Há 6 meses atrás, meus negócios fracassavam, eu não tinha esperança de recuperar meus negócios novamente. Tentei pedir dinheiro emprestado ao banco, mas não tinha dinheiro suficiente no cartão de crédito e nenhuma propriedade como garantia para obter um empréstimo. Depois, uma amiga muito próxima, Camila Diego, me apresentou a um credor genuíno através da Internet chamado GINA MORGAN EMPRÉSTIMO LTD. A empresa de empréstimo desta mulher conseguiu me emprestar € 160,000 sem nenhuma propriedade como garantia ou cartão de crédito, mas ela me entregou com confiança. Então, meus amigos, eu disse a mim mesmo por que ser egoísta, então decidi compartilhar essas informações com todos. Se você precisar de um empréstimo de um credor confiável, entre em contato com Gina Morgan através do email: [email protected]

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  • 9 de fevereiro de 2020 em 08:39
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    Estou manifestando em 9 de fevereiro de 2020 e pergunto a todos nós atleticanos? Mudou alguma coisa no nosso querido Galo. Só nos resta um pedido e fica também claro, esclarecido de uma vez: O Dr. Sergio Sette Camara não é do ramo. Boa vontade só não resolve, tem que ter cacoete, muita manha pra mexer com futebol e ser presidente de um grande clube e nestas últimas décadas só tivemos com este perfil (pra rimar) o KALIL. o PEDIDO: Presidente encontre alguém que tenha este perfil e passe o cargo, ou arranje um assessor qualificado, please!

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  • 9 de fevereiro de 2020 em 08:49
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    Coloquei minha opinião a respeito do nosso presidente e só depois li as manifestações de trás pra frente e encontro logo nesta frequência propaganda de um serviço de agiotagem. É muita cara de pau!

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