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Os impactos do COVID-19 no futebol

Foto: Infoesporte

 

Prof Denílson Rocha
21/03/2020 – 10h
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Com a pandemia do Coronavírus e a gravidade da situação em todo o mundo, buscamos resumir algumas das possíveis consequências no mundo do futebol. É importante ressaltar que ainda é cedo para determinar tudo que pode acontecer. Afinal, o Ministério da Saúde prevê de dois a três meses com bastante “stress”, o que não permite ter qualquer certeza em relação a quando os torneios esportivos voltarão a ser disputados. De qualquer maneira, seguem alguns pontos importantes:

  • Segundo dados da consultoria KPMG, as cinco principais ligas do mundo (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) tem estimativa de perdas de 4 bilhões de Euros, em caso de cancelamento da atual temporada (2019-2020). As perdas envolvem matchday, acordos comerciais e transmissão.

 

  • Ainda conforme dados da KPMG, de janeiro/2020 a 16/março/2020, os clubes listados na bolsa de valores tiveram significativa perda de valor (superior a 20%). As ações do Manchester United e do Lyon tiveram quedas próximas a 30%, do Borussia Dortmund, 45% e da Juventus, 50%.

 

  • No caso brasileiro, o primeiro impacto nos clubes é no fluxo de caixa. Já em 2019, com a mudança no modelo de remuneração pela transmissão (contratos de TV), vários clubes tiveram problemas de caixa no primeiro semestre do ano. Até 2018, o pagamento pelo Campeonato Brasileiro era realizado em maio. Porém, a partir de 2019, o valor fixo de 40% foi pago em maio e o restante (pay per view, quantidade de transmissão em TV aberta e fechada, e colocação no campeonato) somente passaram a ser pagos no segundo semestre. Com o adiamento do início do Campeonato Brasileiro de 2020, o fluxo de caixa fica ainda mais comprometido pois não há definição de quando os clubes receberão a quota fixa dos direitos de transmissão.

 

  • Ainda há impactos com:
    • Recebimentos do pay per view, pois há queda no número de assinantes (afinal, não há jogos sendo transmitidos) e os clubes recebem percentual sobre as receitas.
    • Indefinições quanto aos recebimentos de transmissão em tv aberta e fechada e colocação no Campeonato Brasileiro, pois não há certezas quanto ao retorno das transmissões e quanto ao calendário.

 

  • Para os clubes que estão em competições internacionais (Libertadores e Sul-americana) ou na Copa do Brasil, são geradas receitas para cada fase disputada. Com a interrupção das competições, os clubes deixam de receber os recursos ao avançar em cada fase das competições.

 

  • Para os pequenos clubes, que previam participação apenas dos campeonatos estaduais, os contratos com atletas têm previsão de encerramento no final do mês de abril. Caso as competições sejam reiniciadas posteriormente (o que é bastante provável), os clubes poderão ficar sem diversos atletas e, ainda que consigam a prorrogação dos contratos, não terão recursos suficientes para o pagamento de salários.

 

  • Ainda há redução nas receitas de bilheteria (afinal, não há venda de ingressos para os jogos), sócio-torcedor (que no Brasil estão bastante relacionados à venda de ingressos) e patrocínios (especialmente nos que têm previsão de remuneração baseada em exposição e resultados nas competições).

 

  • É importante ressaltar que diversos custos são reduzidos: manutenção do CT, transporte, alimentação, hospedagem, custos operacionais dos jogos (bilheteria, estrutura dos estádios, segurança…), porém em valores bastante menores que a redução das receitas. O principal custo de um clube de futebol é a remuneração dos atletas. Estão sendo discutidas medidas para redução deste custo durante a paralisação das competições, mas, além das questões econômicas, reduzir o salário de um atleta pode gerar insatisfações. Ou seja, é pouco provável que sejam feitas reduções na remuneração.

 

  • A janela de transferências para o Brasil ainda está aberta. Ou seja, ainda são permitidos os registros de novos atletas nos clubes. Porém, contratações neste momento levariam a aumento nas despesas sem que se tenha previsão de retomada das receitas. É previsível uma significativa redução nas transferências nos próximos dias.

 

  • Já a janela de meio de ano (verão europeu), que é o principal momento de transferências no mercado de futebol mundial, estará bastante comprometida. Inicialmente, é preciso avaliar se as datas para janela serão mantidas (início e término) pois dependem do calendário de competições. Além disso, considerando as perdas pelas interrupções dos campeonatos, é provável uma redução significativa nos investimentos, com uma quantidade menor de contratações e por valores mais baixos que em temporadas anteriores. Os clubes brasileiros que dependem de vendas (e o Atlético fez previsão de 100 milhões de Reais em vendas) terão maiores dificuldades para execução do orçamento.

 

  • Um outro elemento a ser considerado é o câmbio. A valorização do Dólar e do Euro frente ao Real pode “compensar” as previsões de vendas. Um jogador que seria vendido por 3 milhões de Euros passa de, aproximadamente, 13,5 milhões de Reais (com o Euro a 4,5 Reais) para 18 milhões de Reais (com o Euro a 6 reais). Se os 100 milhões de Reais previstos pelo Atlético significavam 22,5 milhões de Euros, agora são necessários 16,5 milhões de Euros. É importante considerar como o contrato prevê o fluxo de pagamentos (nem sempre é à vista) e o câmbio a ser aplicado. Em sentido inverso, as contratações em Euros ou Dólares também ficam mais caras.

 

O momento requer atenção a situações muito mais relevantes. A previsão inicial é de que quase 25 milhões de pessoas, mundo afora, perderão o emprego durante o período da pandemia. E milhares já perderam a vida em função do vírus, que ainda levará outras milhares de vidas.

No momento, o mais importante é seguir as recomendações dos órgãos governamentais, respeitar o período de quarentena e buscar, o máximo possível, permanecer em nossas casas. O futebol continuará sendo “a coisa mais importante dentre as coisas sem importância”.

 

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