Falta planejamento: Até quando atacaremos o efeito e não a causa?

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Lucas Tanaka
Do Fala Galo, em Viçosa
02/10/2019 – 5h

Eis que me pego aqui, mais uma vez, escrevendo sobre técnicos no Atlético. Pois bem, sabemos que é algo recorrente nos últimos anos, algo que incomoda não só a mim, mas a tantos outros atleticanos que sonham em ver um técnico iniciando e terminando uma temporada inteira no Galo.

Para ilustrar o que estou falando vou recorrer aos números. Nos últimos cinco anos, nove treinadores diferentes passaram pelo Atlético. É isso mesmo: nove treinadores. Algo surreal. Nessa estatística, o Galo só não supera o São Paulo, que teve onze treinadores no mesmo período, Chapecoense, que mudou de técnico dez vezes, e o Athletico, considerando que o time paranaense trocou de técnico nove vezes, mas utilizou dois treinadores diferentes no campeonato estadual. Empatado com o Galo está o Palmeiras, que também teve nove treinadores diferentes no time profissional. Estes cinco clubes encabeçam a lista de times da série A que mais trocaram treinador de 2014 para cá.

Cuca comanda o Atlético no Mundial, na derrota contra o Raja / Foto: World Soccer

Complementando a informação, os técnicos que passaram pelo Atlético após o Cuca (de 2013 até 2019) foram: Autuori (2014), Levir Culpi (2014/2015), Diogo Giacomini (2015), Aguirre (2016), Marcelo Oliveira (2016), Diogo Giacomini novamente (2016), Roger Machado (2017), Rogério Micale (ainda em 2017), Oswaldo de Oliveira (2017/2018), Thiago Larghi (2018), Levir Culpi (2018/2019) e, por último, Rodrigo Santana. Este último esteve à frente do comando técnico da equipe como interino do dia 12 de abril ao dia 24 de junho deste ano, quando foi efetivado no cargo.

Estamos com um treinador há cinco meses no cargo e há pouco mais de três meses ele foi efetivado. Rodrigo Santana está sob enorme pressão e, se não fosse a vitória sobre o Ceará no último domingo (29), poderíamos estar aqui escrevendo sobre a queda do décimo primeiro técnico nos últimos seis anos. Minha intenção neste texto não é defender a permanência do Rodrigo e muito menos pedir sua saída, mas mostrar o que vem acontecendo com o Atlético nos últimos anos.

Rodrigo Santana comanda o Atlético na derrota para o Cruzeiro, na 1ª partida do Estadual / Foto: Cantini

Nenhum dos técnicos citados esteve à frente do clube no primeiro e no último jogo da temporada (lembrando que Levir saiu antes de terminar a temporada de 2015). Assustador, não acham? A exceção do Palmeiras, ganharam títulos nas últimas temporadas os times que tiveram menos treinadores neste período. É o caso de Grêmio (três), do rival (cinco) e do Corinthians (sete). Coincidência? Creio que não. Planejamento seria a palavra que eu usaria para definir, algo que tem faltado (e muito) ao Atlético.

Com a troca frequente de treinador, automaticamente o time não tem uma filosofia definida de jogo. No mesmo ano você tem um técnico com proposta e característica de jogo de um time reativo e na outra metade da temporada um técnico com ã filosofia de um time proativo, ofensivo e de posse de bola. E, assim, o time não ganha uma cara e o torcedor não sabe como o time vai atuar dentro de campo.

Soma-se a isso o fato de os técnicos indicarem jogadores que não levam consigo quando saem. O resultado é um elenco inchado, com jogadores jogados para escanteio, fora dos jogos, às vezes até treinando em separado. Muitos deles com anos de contratos a cumprir e com salários altos para o clube arcar. Muitas vezes o clube tem que emprestá-los pagando parte dos salários para trazer novos atletas, pleiteados pelo técnico atual, o que incha ainda mais a folha salarial.

Levir Culpi comanda treino antes da “decisão” contra o Corinthians, em 2015 / Foto: Cantini

O que me incomoda no Atlético é que praticamente em todas as demissões o treinador caiu no seu primeiro momento de crise. Ou seja, na primeira sequência de jogos sem vencer ou eliminação, o Atlético já demite o treinador e interrompe o trabalho. É óbvio que tem casos em que o trabalho precisa ser interrompido. Porque é fácil perceber quando o treinador não trará resultados em longo prazo, como foi o caso da última passagem do Levir Culpi pelo clube. Aí sim, não tem por que segurar. Vimos clubes no Brasil mantendo treinadores após eliminações e até mesmo com longas sequências de derrotas, mas, mesmo assim, mantiveram o treinador e colheram frutos.

Finalizo este texto com minha opinião sobre o assunto. A meu ver, as trocas reincidentes de técnicos no Atlético são o efeito da causa. O clube, ao invés de atacar a causa, a raiz do problema, ataca apenas o efeito. Por que quem indica e quem escolhe o técnico quase nunca é demitido? Por que apenas o treinador é trocado? São perguntas que me vejo fazendo a cada vez que o Galo troca de treinador. Enquanto o clube não resolver outras questões, que acabam permitindo essas trocas frequentes, vamos continuar nesse ciclo sem fim, com um treinador diferente a cada início de temporada.

 

ENTREVISTA COM JÚNIOR CHÁVARE

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Edição: Ruth Martins
Edição de imagem: André Cantini 

 

Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

3 comentários em “Falta planejamento: Até quando atacaremos o efeito e não a causa?

  • 2 de outubro de 2019 em 07:46
    Permalink

    Bom dia Atleticanos. Sobre o assunto abordado no texto de hoje, entendo que as causas da situação atual do Atlético são várias, não é apenas treinador e nem time é quase tudo. vamos listrar a meu ver os principais causas:
    a) situação financeira caótica e sem transparência quanto as suas origens e equacionamento;
    b) diretoria amadora, incompetente e sem comprometimento com as coisas do clube – principalmente com o futebol;
    c) uso do clube para interesses pessoais;
    d) conselho omisso e capacho de um determinado grupo que domina o poder dentro do Clube;
    e) péssima gestão financeira;
    f) gastos pessimamente aplicados nas contratações de jogadores – valores altos para apostas temerárias e em atletas em péssima fase;
    g) efetivação de treinadores inexperientes e insistência na sua permanência após reiteradas demonstrações de sua incapacidade para montar esquema de jogo, fazer leitura do adversários, estrutura tática deficiente e ineficaz, perpetuação dos mesmos defeitos;
    h) elenco sem qualidade técnica, com muitos jogadores desinteressados e outros em péssima fase, muitos jogadores em fim de carreira e seguindo como titulares, ausência de jogadores de boa qualidade para setores fundamentais como meio campo, laterais e ataque.
    i) falta de planejamento e decisões erradas e equivocadas da diretoria criando conflitos e embates com o torcedor e levando o clube para um patamar de time de segunda divisão;
    j) diretoria apática e omissa que aceita resultados inexpressivos, campanhas medíocres e vexames de toda sorte ao invés de exigir melhores resultados e tomar atitudes sobre o que não vem correspondendo em campo.
    Ai estão as causas e a solução é somente com uma mudança radical em quase tudo dentro do clube, pois não vejo quase nada certo e a falta de transparência da gestão nos induz a crer que o caos é ainda pior. Saudações Atleticanas

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  • 2 de outubro de 2019 em 13:15
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    Planejamento? Não temos presidente e nem gestores que o cercam quanto mais esta palavrinha que faz toda diferença até no cotidiano de qualquer ser vivo que possua mais de dois neurônios.
    No CAM jamais existiu essa coisa aí. Não adianta apontar onde o calo aperta, são arrogantes demais para dar um passo atrás e ouvir quem de fato mostra-lhes onde estão errando e o caminho a ser seguido para minimizar os erros. Aquela máxima, para a barca de Caronte uma moeda basta! Saudações Atleticanas.

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  • 5 de outubro de 2019 em 07:53
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    Volto a insistir, em razão dessa balburdia que é o Galo nestes últimos 3, 4 anos, nítida incapacidade
    camuflada pela arrogância de indivíduos que não conseguem ouvir e acolher sugestões da torcida que não é cega, técnicos qualificados estão com receio em assumir nosso time, mesmo recebendo multas elevadas quando é rompido o contrato.

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