Entre o feio e o bonito, há uma encruzilhada no caminho do Atlético e de seu jovem treinador

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Por: Maxi Pereira – Opinião do Torcedor

 

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ENTRE O FEIO E O BONITO HÁ UMA ENCRUZILHADA NO CAMINHO DO ATLÉTICO E DE SEU JOVEM TREINADOR. Ou de como os desafios dos jovens treinadores brasileiros tem tudo a ver com o futuro do Glorioso

O Brasileirão e as outras competições deram um tempo por causa da Copa América.

Em relação ao Atlético, essa parada pode ser fatal como aconteceu ano passado durante a Copa do Mundo, se o comando atleticano mais uma vez promover um desmanche, saindo à cata de recursos financeiros de forma temerária e sem planejamento, ou pode ser a redenção se a diretoria trouxer alguns reforços pontuais, se, ao mesmo tempo, o trabalho do interino Rodrigo Santana encaixar de vez e se os deuses do futebol concorrerem para que haja uma trégua duradoura nessa guerrilha que vêm corroendo o clube.

Uma guerrilha que hoje parece perder força, mas que ainda faz estragos. Uma guerrilha que conta com artilharia inimiga pesada e com o fogo amigo de uma massa por vezes ensandecida, irracional, passional e irreflexiva.

Em relação aos demais clubes qualquer vaticínio também é prematuro e incerto.

Apenas o Palmeiras parece firme e forte na busca dos títulos que persegue e vem se mostrando diferenciado em relação aos outros clubes tidos, como ele, concorrentes naturais ao título do Brasileirão e das demais competições paralelas. Mas, tem clube que pode surpreender.

Muito se fala da baixa qualidade do futebol que vem sendo jogado, inclusive por times cujos elencos são tidos e havidos como estelares.

Várias são as variáveis que justificam o futebol ruim e pouco vistoso que vêm sendo mostrado nos campos brasileiros.

O futebol está cada vez mais físico e tático e, fundamentalmente, vem exigindo dos atletas muito esforço mental.

Soma-se a isso um calendário perverso e o fato de o Brasil ser um país de dimensões continentais, o que obriga os times a se submeterem a viagens extremamente cansativas e de difícil logística.

Esse quadro se agrava com a intercalação de jogos pela Copa do Brasil, Sul-americana e Libertadores.

O desgaste, em consequência disso tudo, é imenso. A técnica vêm se tornando artigo de luxo e, jogadores diferenciados e acima da média como Cazares, seres em extinção.

Um futebol com essas características dificilmente será belo, plástico, gostoso de se ver.

O Palmeiras tem um elenco maior e com peças de bom nível o que permite a Felipão rodar o elenco com eficiência e isso possibilita manter um nível razoavelmente satisfatório.

O Verdão paulista parece ter driblado alguns problemas de vestiário, normais em grupos com muitos nomes badalados, onde a guerra de vaidades costuma explodir e minar o ambiente.

Ainda assim, o Palmeiras não tem mostrado um futebol de encher os olhos, vez que tem contra si o esquema engessado e o modo de jogar burocrático e monotônico que Felipão costuma imprimir aos times que comanda.

Eu estive naquele jogo no Mineirão entre Atlético x Palmeiras e vi que o Galo, se não tivesse jogado em uma rotação muito baixa, imerso em um clima muito negativo que também envolveu a sua própria torcida, poderia perfeitamente até ter vencido o jogo. Não vi nada de excepcional no Palmeiras.

Flamengo, Grêmio e o rival azul, cada qual com seus problemas, vem mostrando um futebol muito irregular.

O time azul, em particular e, como sempre, continua jogando mais nas mesas redondas e nas conversas de botequim, do que dentro de campo e vive uma crise quase sem precedentes na história do clube, sem falar que está hoje no Z-4.

Sair desse imbróglio sem sofrer nenhuma consequência parece ser uma façanha que só o mais apaixonado torcedor azul ainda acredita.

Mas, como o clube da Toca ainda tem imenso poderio político, não seria surpresa, mesmo diante dos grandes problemas que vivencia, se ainda esse ano abiscoitasse algum título importante.

Grêmio e Flamengo são adversários de si mesmo e, nesse sentido, guardam certa semelhança com o Atlético. A diferença é que são muito mais fortes que o Galo política e financeiramente. E podem fazer muito barulho ainda.

Fluminense, Internacional, Athletico e Santos buscam, com estilos e propostas diferentes, sair desse lugar comum. Terão fôlego para conseguir alguma coisa? Quem viver, verá.

O Santos, por exemplo, consegue ter a posse de bola, seus jogadores se movimentam continuamente e exigem muita força mental dos seus adversários, mas peca pela falta de contundência ofensiva e por uma ainda ainda incontornável fragilidade defensiva.

Naquele jogo contra o Palmeiras, o Peixe teve mais de 65% de posse de bola e tomou de 4.

O Corinthians de Carille, tal como o Atlético e, guardando as devidas proporções, correm por fora, seja para a glória, seja para o fracasso.

Bahia e Fortaleza, com o tricolor baiano à frente, são novidades táticas interessantes mas, por diversas razões, de pouco fôlego em uma perspectiva de títulos e voos mais altos.

Sobre o Atlético em particular, é preciso dizer, antes de mais nada, que o treinador interino Rodrigo Santana, vem fazendo um trabalho de renascimento das cinzas, classificado para as oitavas da Sul-Americana, quartas da Copa do Brasil e em quinto lugar no Campeonato Brasileiro.

Para um time como esse do Atlético que foi abaixo do fundo do poço, maltratado ao extremo, machucado, arrasado moralmente e tão desacreditado, fazer o que está fazendo já é algo excepcional.

A fênix atleticana que surpreende e, ora leva o atleticano a acreditar mais do que normalmente o galista já acredita, ora ainda gera um descrédito que machuca, que deprime, que dói na alma alvinegra, também incomoda a muitos.

Feio ou não, o futebol continua fascinante. A possibilidade de que o pequeno possa surpreender e vencer o grande, a possibilidade de que o imponderável se materialize e a possibilidade do craque tornar o impossível possível, fazem do futebol um esporte diferente e arrebatador.

Aqui chego ao grande desafio que o futebol de hoje está impondo aos treinadores brasileiros. O futebol brasileiro vive agora o auge da batalha entre o lúdico, o técnico, o plástico, o belo de um lado e o físico, o tático, o mental, o prático e o feio, de outro.

Até então, o feio vem dando de goleada no belo.

Em outros tempos falava-se muito de futebol arte versus futebol competição, futebol força. O segundo destronou o primeiro.

Mas um clamor que, aos poucos, vem ganhando força nas arquibancadas e nas falas de alguns jornalistas que ainda não desistiram do futebol bem jogado e gostoso de se ver, vai se tornando um aliado poderoso dos jovens treinadores, os únicos, ao meu ver, capazes de fazer o plástico e o lúdico derrotarem o feio.

E por que, no enfrentamento desse conflito, os treinadores jovens estão à frente dos mais antigos? É que a vaidade desses últimos não lhes permite rever os seus conceitos e, nem ao menos, conhecer e experimentar novas concepções táticas. Há claro, nisso tudo, um medo do novo que a psicologia pode explicar.

E, quando o fazem, o fazem com algum “delay” e, claro, com imperfeições muitas vezes incontornáveis, graças às suas idiossincrasias cultivadas anos e anos e ao apego a concepções já deterioradas.

Os novos treinadores, livres das amarras de conceitos internalizados aos longo dos tempos e, portanto, difíceis de serem reformulados ou ao menos adaptados às exigências dos tempos atuais, se mostram, por óbvio muito mais abertos a novas ideias e experimentos.

Isso não significa, porém, que Rodrigo Santana, Roger Machado, Thiago Larghi, Thiago Nunes, Rogério Ceni, Fernando Diniz e alguns outros não tenham problemas e não enfrentarão obstáculos variados e pesados, para desenvolver o seu trabalho.

O desafio desses novos treinadores e dos antigos que ainda têm espaço no mercado é cada vez mais complexo.

E, mais do que nunca, além de modernizar e democratizar o clube, cuidar da marca da instituição e provê-lo de uma gestão profissional, tornando-o apto a vencer a batalha dos bastidores, é hoje fundamental a um gestor de grupo, saber planejar e estruturar o futebol e enxergar o elenco como um grupo heterogêneo de seres humanos que também oscilam e alternam seus humores, suas entregas e seus momentos, de acordo com as suas próprias idiossincrasias.

Aos treinadores jovens é essencial, portanto, a presença de alguém de peso, experiente, junto à comissão técnica, que tenha voz e comando, que dê ao treinador a sustentabilidade necessária e, quando preciso, o blinde, para que este execute o seu trabalho em nível de excelência.

Em outros escritos já venho defendendo essa ideia, principalmente em relação ao Atlético que, ao meu ver, tem deixado muito solitários e sem referência, os jovens treinadores a quem, ao longo dos últimos tempos, confiou o comando do time. Com Santana, isso vem se repetindo.

Nos tempos do velho Kafunga, para os mais antigos o melhor goleiro do Atlético de todos os tempos e seguramente o mais emblemático da história alvinegra, o futebol era jogado no ofensivo 2, 3, 5 e os técnicos, geralmente homens vividos, experientes e rodados, não se ressentiam desse ponto de apoio.

Os diretores de futebol de antanho, diferente dos de hoje, falavam “futebolês” e entendiam profundamente dos meandros do futebol e de sua organização tática.

E um detalhe importante: não existiam as figuras dos empresários e dos agentes do futebol, gente que mudou para sempre as relações interpessoais entre jogadores e clubes, os negócios e o mundo do futebol.

E como o futebol mudou dentro de campo.

No 2,3,5 daquela época, os times entravam com 2 beques (zagueiros) na última linha, sendo que só a um deles, geralmente o quarto zagueiro, normalmente o mais habilidoso da dupla, era permitido sair até a intermediária do próprio time para iniciar a transição.

À frente dos zagueiros era postada um linha de três, formada pelo único volante do time e pelos dois laterais que raramente atacavam. E, à frente, uma linha bem ofensiva de 5, com dois pontas, um centro avante e dois meias atacantes, um pela esquerda, outro pela direita.

Época romântica do futebol, onde a técnica e a qualidade eram predicados naturais e indispensáveis e as preocupações defensivas não eram obsessivas. Atacar e ser feliz era a regra de ouro.

Época em que os jogadores, nominados por suas funções, ainda recebiam a nomenclatura inglesa. Alf direito e Alf esquerdo, assim eram conhecidos os laterais. Stopper, o zagueiro central, Centre-Alf, o volante marcador, Centre-For, o centro avante. Corner, palavra inglesa que significa canto, é corner até hoje.

O Gol-Keeper, depois guarda-metas, é o hoje simplesmente o nosso goleiro.

Não vivi essa época, mas conheci e me apaixonei pelo esporte bretão, e pelo Galo em especial, exatamente na transição para o 4,2,4, uma pequena e sutil variação tática que em nada comprometia a ofensividade e a técnica dos jogadores.

Com o 4,2,4, um dos meias atacantes, geralmente o que atuava pela meia esquerda passou a flutuar e a fazer a articulação armando por trás do outro meia e bem próximo do volante. Surgia a figura do armador. Ao outro meia atacante, meia direita de origem, por jogar mais perto do centroavante, deu-se o nome de ponta de lança, hoje em desuso.

Alguns pontas de lança históricos do Atletico: Viladônega, Beto Bom de Bola, Laci, Lola, Marcelo (Oliveira), Paulo Isidoro, Renato Morungaba, Tomazinho, Palhinha,Everton, Danilinho e Muriqui.

Alguns armadores que entraram para a historia do Galo mais querido e famoso do mundo: Paulista, Fifi, Buglê, Zenon, Amauri, o Cabecinha de Ouro, Oldair, Humberto Ramos, Danival, Ângelo, Rodrigo Fábri, Ronaldinho Gaúcho, Dátolo, Ramon Menezes, Cerezo depois que Chicão veio jogar no Atlético, Paulo Isidoro em sua segunda passagem pelo clube e, claro, Cazares.

Lembrar e listar esses jogadores é uma forma bem interessante de ver com clareza a evolução do futebol.

Ao armador não era dada exagerada ou prioritária preocupação defensiva e também nunca se impedia a sua aproximação da linha de frente. Ao contrário, se incentiva. Era apenas um posicionamento estratégico.

Aliás, com a bola nos pés, o 4, 2, 4 por vezes se transformava em 2,3,5 no último terço ofensivo do campo.

Por fim, com o 4,2,4, os laterais começaram a se libertar e a se projetar gradualmente para o ataque. Eu ainda não sabia, mas alas estavam pedindo passagem.

Se hipoteticamente tirarmos dois retratos, dois instantâneos, um daquela época e outro dos tempos atuais, muita gente vai dizer que se tratam de esportes diferentes.

Muita água passou por baixo da ponte e o futebol sofreu profundas transformações, dentro e fora dos campos, na forma de jogar e de gerir futebol, no perfil dos dirigentes, dos treinadores e dos jogadores. E também na relação dos clubes com as suas torcidas.

E uma das transformações que não pode e nem deve ser desconsiderada se deu no ambiente interno dos clubes, onde se misturam jogadores diferentes, de origens diversas, que professam religiões diferentes e que possuem alta rotatividade, o que impede a muitos de cristalizarem alguma identidade com os clubes por onde passa. Alguns são verdadeiros nômades.

Ainda incultos em sua grande maioria e despreparados para a fama, de repente se vêem transformados em estrelas de primeira grandeza e, pior, na matéria prima de um negócio multibilionário. E o lado humano do jogador acaba ficando muitas vezes em último plano e muitas carreiras são inevitável e cruelmente destruídas.

Todas essas variáveis estão interpostas e, claro, interferem decisivamente no desempenho do time e no trabalho dos treinadores, tornando mais e mais desafiadora e complexa essa batalha entre o belo e feio.

Galo e Santana. Atlético e um jovem treinador. Um desafio único. Entre o feio e o bonito, clube e treinador estão diante do maior desafio de suas histórias. Maior porque atual, maior porque fundamental, maior por que levará ambos ao SUCESSO OU AO FRACASSO, À GLORIA OU À HUMILHAÇÃO.

Mas, não basta apostar no sucesso, é preciso construí-lo.

 

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Revisado por: Jéssica Silva

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