Deixa ela apitar!

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Por: Carol Castilho

 

Quando eu era criança e estava a fim de brincar, minha mãe sempre me trazia bonecas como a Barbie, a Suzy e também roupas, casas, panelas e tudo o que ela considerava ser ligado ao universo feminino.

Mas a verdade é que eu trocava tudo isso por papel e lápis. Mesmo não sabendo escrever, eu sempre desenhava o que me vinha à cabeça. Desenhar ou escrever é uma ótima forma de expressar o que estamos sentindo, isso pode explicar porque eu gosto tanto de escrever e escolhi ser jornalista.

Como toda criança, eu não escapei da fatídica pergunta: “o que você vai ser quando crescer?”. Não é todo mundo que assim como eu tem a resposta na ponta da língua, mas as coisas com as quais nos identificamos nos levam ao nosso caminho e até mesmo influenciam a escolha do que seremos no futuro.

A minha chará, Carol Ribeiro, de 23 anos, escolheu ser assistente de arbitragem. Desde muito cedo, ela é apaixonada por futebol. Sua paixão pela arbitragem veio com o tempo, ela sonhava em trabalhar com isso e hoje se sente muito realizada. Surgiu a oportunidade de fazer o curso, ela não perdeu tempo e foi imediatamente fazer a matrícula.

Mas essa área ainda não é um conto de fadas e está longe de ser, já que o quadro de mulheres na arbitragem ainda é muito pequeno. Uma matéria divulgada pelo site Hoje em Dia, no ano de 2018, trouxe a informação que o quadro da Federação Mineira de Futebol (FMF) atualmente conta com 279 integrantes entre árbitros e auxiliares e as mulheres correspondem a somente 8,9% desse total (25).

A jovem Carol atua há um ano no ramo. “Trabalho no futebol amador e em breve pretendo entrar para a Federação Mineira. É um caminho bem árduo a ser percorrido, mas com dedicação tudo fica mais fácil. O futebol amador é um bom caminho para pegar experiência e a maldade da arbitragem, pois no início a insegurança é muito grande, mas com o tempo tudo fica mais tranquilo”.

Estamos muito longe de dominar esta área, já que é um ambiente cercado por homens e é inevitável que haja machismo. Carol nos conta como foi a recepção dos colegas de trabalho: “No início é bem difícil, até para você conseguir conquistar a confiança, pois para nós mulheres é muito mais complicado, não basta apenas trabalhar bem para ser reconhecida. Mas fui bem acolhida pelos meus colegas, por árbitros mais experientes que me ajudaram e ajudam muito até hoje”.

Se Carol teve apoio dos colegas de trabalho, não fugiu das experiências desagradáveis de preconceito, dentro ou fora de campo. “Isso acontece sempre. Duvidam da nossa capacidade por sermos mulheres, procuram um erro o tempo inteiro, embora eu sempre estude. Dizem não saber o porquê de se escalar uma mulher para bandeirar o jogo, me mandam procurar um tanque de roupas para lavar, ou umas vasilhas e outras coisas do tipo. Fora o assédio que é ainda mais constrangedor quando escutamos homens nos chamando de gostosa ou delícia. Mas lugar de mulher é onde ela quiser e dentro de campo é o lugar que escolhi para mim”.

Uma das situações mais absurdas que já aconteceu no mundo do futebol foi a agressão que a árbitra de futsal, Eliete Maria Fontenele, de 42 anos, sofreu. Ela foi brutalmente agredida durante uma partida de futsal em um campeonato realizado na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, litoral do estado. A profissional recebeu socos no rosto após ter expulsado o atleta identificado como Rodrigo. Após as agressões, Eliete caiu no chão da quadra. Ela registrou um boletim de ocorrência e foi encaminhada à central de flagrantes, onde requisitou um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
LINK DA MATÉRIA: https://globoesporte.globo.com/pi/futsal/noticia/arbitra-de-futsal-e-agredida-com-tapa-e-socos-por-jogador-apos-expulsa-lo-de-partida-sangrando.ghtml

A Carol nos fala sobre a proteção que estas profissionais têm quando acontece esse tipo de situação: “Infelizmente, estamos à mercê desses marginais disfarçados de atletas, saímos de casa para fazer o nosso trabalho, ganhar honestamente o nosso dinheiro e ainda corremos esse risco. Não temos nenhuma proteção dentro de campo, temos que contar somente com a sorte e com os outros árbitros da partida”.

Se você que está lendo essa matéria se interessou em seguir essa carreira, a Carol tem um conselho para você e diz onde você deve procurar ajuda: “Basta procurar a liga esportiva da sua cidade e se informar sobre o curso de arbitragem, além de trabalhar no futebol amador, para ganhar experiência. Vale ressaltar que é importante se dedicar bastante e ter perseverança, pois para nós mulheres não basta apenas que sejamos boas, temos que ser ótimas, pois o caminho é muito difícil. Se é o seu sonho, nunca desista.”, finaliza a assistente de arbitragem.

Quero agradecer a participação da torcedora e assistente de arbitragem, Carol Ribeiro. Desejo muita sorte em sua carreira e muita força nesse mundo em que os homens são a grande maioria. Então, torcedora, curtiu a participação? Você também pode participar da nossa ARQUIBANCADA FEMININA, basta entrar em contato pelas redes sociais do Fala Galo.

Revisado: Jéssica Silva

Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

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