Autocracia x Democracia, o paradoxo Atleticano

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Max Pereira
Do Fala Galo, em Belo Horizonte
03/09/2019 – 07h14

É inegável que na atual temporada, e sob vários aspectos, a gestão Sette Câmara tem sido bem diferente do que foi no primeiro ano do presidente à frente do Atlético.

Se ano passado Sette Câmara usou e abusou do direito de errar, e sua gestão foi um desastre, nesta temporada é de se reconhecer alguns sinais realmente positivos de uma evolução interessante.

Como sempre, nem tudo são flores. E, por isso, resisto em ser mais otimista e não falar em um processo definitivo e robusto de profissionalização, porque entendo e vejo o clube e a direção muito distantes disso ainda.

Por exemplo, a recente “eleição” para o Conselho Deliberativo do clube, com chapa única definida sob critérios nada transparentes, revela que o Atlético persiste ainda em ser o clube mais fechado do país e que a atual direção se mantém preocupantemente revel a uma governança democrática e participativa.

Muito se diz da torcida do Atlético que ela é bipolar. Mas, a direção do clube é também paradoxal.

Falei de sinais positivos e é a partir deles que vou desenvolver o tema desse artigo, autocracia x democracia, o paradoxo atleticano.

Se no ano passado, nessa altura da temporada, tínhamos no elenco principal cerca de uma dezena de jogadores emprestados, hoje apenas Papagaio e Nathan estão nessa condição, o que mostra um planejamento mais racional.

O preparo físico do time também melhorou bastante e o número de lesões musculares vem se reduzindo significativamente.

Contudo, é na base que se percebe um trabalho de médio e longo prazos mais consistente. Tenho acompanhado jogos do Galinho nas várias divisões da categoria e é notória a evolução dos times e do trabalho que vêm sendo desenvolvido lá.

Com Chávare no comando das divisões de base o Atlético tem garimpado jovens promissores e de inegável qualidade técnica para todas as categorias.

Há ainda a expectativa de que um projeto de transição para o profissional seja ativado, o que seria um ganho enorme para o clube.

Um problema crônico e antigo do Atlético é o não saber aproveitar a garotada da base. Geralmente o garoto é mergulhado em uma espécie de limbo após estourar a idade.

Abandonados pelo pessoal da base, que não se sente mais responsável por eles, e nem recepcionados como deveria pelo staff do profissional, que quase sempre ignora suas qualidades e potencial, muitos garotos normalmente veem seus sonhos frustrados e suas carreiras abortadas.

O projeto de transição viria possibilitar a vários jovens a maturação necessária para ascenderem ao profissional com chances reais de sucesso.

Entretanto, restam algumas questões que merecem ser cuidadas ao extremo, sob pena de se tornarem problema e não solução.

O exemplo recente do Flamengo, que teria negociado a preços nababescos crias de sua base, chamou a atenção de muitos torcedores que vêm defendendo, aqui e ali, que o Atlético mire o exemplo do rubro-negro carioca e também revele valores para esse fim.

Esse caminho, bem provável de ser seguido, não pode, entretanto, frustrar nem a formação de elencos e times fortes e, nem tampouco, comprometer os resultados financeiros do clube, a favor de empresários, agentes, parceiros, credores, etc.

Em recente entrevista, Chávare falou coisas bem interessantes e até alvissareiras que estão sendo cultivadas na base atleticana.

Mas o trabalho está apenas começando e só vai se consolidar e se perenizar, gerando os frutos colimados, se o clube, como um todo, pulsar harmonicamente nesse processo.

A chegada de Chávare e de Rui Costa ao Atlético são indicadores de que Sette Camara, ainda que continue insistindo em métodos feudais em relação ao Conselho e à distribuição de poder no clube, já percebeu a importância da adoção de um nível mínimo de profissionalização a fim de que o clube possa enfrentar com alguma altivez as demandas que o futebol atual impõe.

Sette Câmara aprendeu que, para disputar e ganhar uma competição longa de pontos corridos como é o Brasileirão, seu sonho confesso, é preciso saber planejar-se para tal.

Ele entendeu que esse planejamento requer, a quem pretende disputar de fato o cetro máximo, regularidade, equilíbrio e eficiência.

E é aqui que o paradoxo atleticano se estabelece e impõe uma pergunta que não quer calar: o que vai prevalecer no final, essa ainda embrionária guinada para a profissionalização ou a vocação crônica e histórica para o poder feudal?

O futuro do Atlético depende da resposta a essa pergunta.

Para superar esse paradoxo pelo lado certo, o Atlético depende (e muito) de você, atleticano. De sua luta, de sua perseverança, de sua ação.

Enfim, cabe a cada atleticano se perguntar o que ele pode e deve fazer para que o Atlético se torne, de uma vez por todas, um time campeão e vencedor.

 

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Edição: Ruth Martins
Edição de imagem: André Cantini

Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

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