Nem Sampa, nem Lisca: A liderança do Estadual do caiu no colo de Eugênio Souza!

Foto: Flickr Atlético – Bruno Cantini

 

Carol Castilho
28/07/2020 – 07:13
Clique e siga nosso Instagram
Clique e siga nosso Twitter
Clique e siga nosso YouTube

Clique e siga nosso Facebook

Após quatro meses de bola parada em Minas Gerais, a Arena Independência foi palco do tradicional “Clássico das Multidões”, protagonizado por América e Atlético na tarde do último domingo. Porém, contrariando as expectativas das torcidas, o clássico mineiro terminou no empate de 1 a 1.

Mas quem não decepcionou sua torcida foi a Tombense, que se beneficiou do empate e ainda superou o Coimbra por 2 a 1, se tornando líder do Campeonato Mineiro. Para alguns torcedores, o Galo poderia ter saído do Horto com a vitória nas mãos, mas vacilou (a dor e a delícia de ser atleticano).

O torcedor se agradou do início da “ERA SAMPAOLI”? Vamos saber o que as mulheres do Galo têm a dizer sobre a reestreia do Galo no Campeonato Mineiro.

As torcedoras Bruna Vargas, Carol Toledo e Mariana Capachi analisam os principais pontos deste empate. Vem com a gente em mais uma edição da ARQUIBANCADA FEMININA.

 

A torcedora Carolina Toledo analisa o 1° tempo do Galo: “Sabendo da proposta de jogo do Galo, que é baseada na posse consciente da bola, o Coelho optou por apertar a marcação, complicando a saída de bola do time alvinegro. As dificuldades em chegar até o gol foram, a meu ver, reflexo de uma falta de ritmo e entrosamento, naturais do retorno pós-suspensão de jogos. Com o sistema de criação mais agudo pelas laterais do campo, as jogadas de maior destaque foram criadas por Savarino, que se mostrou um jogador inteligente, rápido e ‘liso’ e por Marquinhos, responsável pelo cruzamento que, por um desvio de Nathan, colocou o Galo a frente do placar aos 30 minutos do primeiro tempo”.

MELHORES EM CAMPO: Os destaques ficaram pelo bom desempenho de Savarino no ataque e de Rafael, com belas defesas num cenário de incertezas de contratações para sua posição. O zagueiro Réver também demonstrou segurança nas saídas de bola e precisão nas inversões de jogada.

PIORES EM CAMPO: O pior em campo foi o lateral Guga, que não se encaixou bem na proposta de jogo do treinador e, ao ser deslocado para o meio ofensivo, foi desarmado inúmeras vezes pelo adversário, dificultando a formação das jogadas.

A torcedora ainda fala suas expectativas para a próxima partida: “Sem criar grandes expectativas, já que o momento é de reformulação de elenco e adaptação a uma nova proposta de jogo, espero que o Galo alcance a vitória em casa contra o Patrocinense, confiando que Sampaoli não cometerá os erros que levaram à queda de rendimento do time no segundo tempo; erros estes já admitidos pelo próprio treinador no pós-jogo”.

A torcedora Mariana Capachi analisa o 2° tempo do Galo: “No segundo tempo perdemos a saída de bola. Discordo do que tenho lido, de que o técnico Lisca tenha dado um nó tático no Sampaoli. Ele fez uma boa leitura de jogo, corrigindo as falhas nas laterais com muita marcação, forçando o Galo a recuar. Colocou o João Paulo ajudando Sávio na marcação do Savarino, conseguindo bloquear nosso melhor jogador, que pareceu sentir a torção no final do primeiro tempo. Sampaoli tentou recuperar a saída de bola com dois volantes de boa movimentação e que a torcida estava ansiosa pela estreia: Alan Franco, na vaga do Hyoran, e Léo Sena, no lugar do Marquinhos, mas eles não entraram bem. Por mais irregular que Hyoran vinha jogando, o time piorou com a saída dele. Marquinhos, que fez também um bom primeiro tempo, foi muito marcado na segunda etapa, mas com a saída dos dois, perdemos a referência no ataque. Marrony toda hora tinha que voltar para apoiar, forçando Nathan a fazer papel de centroavante. Jorge Sampaoli não gosta de posições fixas, mas ao tirar um ponta e um meio atacante e colocar dois volantes para ajudar na saída de bola, matou o ataque. E nitidamente o time também sentiu o ritmo de jogo. Poderíamos ter feito mais substituições, colocado jogadores mais descansados pra recuperar o ritmo, já que só fizemos duas das cinco possíveis. Mas é somente o primeiro jogo da temporada, acho que vem coisa muito boa por aí”.

Após a partida o argentino Jorge Sampaoli assumiu a responsabilidade do empate. Para a torcedora Bruna Vargas, o treinador mexeu mal: “Sampaoli assumiu a responsabilidade do empate porque o América dominou o Atlético na etapa complementar, e não apenas física, mas também taticamente. O Coelho cresceu no segundo tempo após a entrada do João Paulo e o técnico alvinegro não conseguiu acompanhar. Fez pouquíssimas substituições, com o argumento de dar ritmo a alguns jogadores, ao invés de usar os bons nomes que tinha no banco para tentar a vitória, que valia a liderança do Campeonato Mineiro”.

 

ARQUIBANCADA FEMININA

Foram mais de quatro meses de futebol paralisado em Minas Gerais. Quais foram os destaques positivos e negativos do clássico?

Carol Toledo: “A atenção aos protocolos sanitários deve ser alvo de elogio, assim como a participação virtual de torcedores do mandante, iniciativa que deveria ser realizada por todos os clubes. De negativo, o rendimento dos times, especialmente do Galo no segundo tempo, naturalmente afetados pelo tempo de suspensão dos jogos devido à pandemia.”

 A torcida do Galo apoia incondicionalmente o time, em todos os jogos lota o estádio. Como foi ter o Galo tão longe e tão perto com essa nova realidade? A torcida fez falta pra empurrar o Galo?

Mariana Capachi: “Ontem eu fiz a minha rotina de jogo. Me arrumei como se estivesse indo para o estádio. Quando deu a hora de sair de casa eu só pensava que era para eu estar na Arena com os amigos. Ou estar subindo para o estádio, e até mesmo levando uma mordida do cavalo da PM. Risos. É tanta saudade que chega a doer. E ver pela televisão o estádio vazio dá um aperto no coração. Mas sei que isso tudo vai passar, e sei que é necessário esse distanciamento para que tudo passe logo! E o que eu mais queria era que todos tivessem consciência disso! Quanto à torcida empurrando o time, nossa torcida sempre foi o 12º jogador. Mas não vou mentir que de uns tempos pra cá, com tantas vaias durante os jogos, eu sentia que grande parte da torcida estava jogando contra. E essa torcida não faz falta não! De qualquer forma, quarta eu estarei presente no jogo com meu bonequinho! Achei uma ideia excelente do Galo para a torcida se sentir presente nesse momento! Mas vai me distrair, porque vou passar o jogo todo me procurando na arquibancada.”

O que teve de diferente do jogo-treino para este jogo oficial?

Bruna Vargas: “No jogo-treino o Atlético envolveu o América e controlou o jogo, o que não aconteceu hoje. Talvez por questões físicas, o meio de campo não funcionou, o que comprometeu toda a etapa complementar. O Coelho não venceu neste domingo devido às ótimas defesas do goleiro Rafael; no jogo-treino não venceu porque não teve tantas oportunidades, foi pressionado e sufocado pelo Galo.”

Quero agradecer a colaboração das torcedoras Carol Toledo, Bruna Vargas e Mariana Capachi. Muito obrigada pelo tempo reservado e por suas análises.