Análise: Atlético 0 x 2 Palmeiras – Arquibancada Feminina

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Ao final da partida entre Atlético e Palmeiras, que aconteceu no Mineirão, válida pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro 2019, lembrei-me de uma música que é muito propícia para o momento que vivemos: “Sonho meu, sonho meu, vá buscar quem mora longe, sonho meu”, de Maria Bethânia e Gal Costa.

Na boa, meu caro leitor, estou certa ou errada? Eu sei que é cedo, o time está pegando ritmo, melhorou muito desde a saída do Levir, é apenas a primeira derrota no Brasileirão e o técnico está chegando. Tudo isso eu já ouvi e até mesmo disse, mas sejamos francos, essa derrota nós já esperávamos, os jogos do Brasileirão foram relativamente fáceis, contra times fracos. O Galo já bateu tanto na torcida que chega uma hora que nem dói mais, é isso mesmo, a derrota nem doeu. Como disse a minha colega de Fala Galo, Jéssica Silva, está dentro dos 45 pontos.

Para mim, a conquista do Brasileirão se tornou um sonho e está cada vez mais longe.

Enfim… sigamos em frente orando pelo nosso Galo.

Eu tive o prazer de trocar uma ideia com três torcedoras apaixonadas: Laíssa Pavani (torcedora do Palmeiras), Cris Bastos (torcedora do Atlético e colunista do Fala Galo) e Mariana Capachi (também torcedora alvinegra).

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CONFERE AÍ!

Para Cris Bastos (39 anos, enfermeira), o alvinegro teve dois tempos distintos: “O Galo perdeu algumas chances, o Palmeiras entendeu melhor o jogo e começou a marcar mais a saída de bola do Galo. No segundo tempo, nosso time se mostrou cansado e a individualidade do elenco do Palmeiras, que é superior ao nosso elenco, se sobressaiu. No geral, nenhuma novidade, nosso elenco é ruim. O Rodrigo Santana conseguiu organizar o time, mas não pode fazer milagres. Continuamos com um meio muito carente de criação e dois laterais abaixo da crítica”, finaliza a colunista e comentarista do Fala Galo.

 

ANÁLISE: SEGUNDO TEMPO

Mariana Capachi, 38 anos, Arquiteta Urbanista.

“Na segunda etapa, especialmente após o segundo gol, o Galo precisava correr atrás do prejuízo e foi aquele desespero e desorganização. Até Nathan virou volante. A superioridade técnica e a qualificação dos jogadores adversários acabaram prevalecendo, já que o Palmeiras tem no banco atletas que seriam titulares em qualquer outra equipe da série A. Venceu o melhor, indiscutivelmente. Já o Galo, precisa urgentemente qualificar o elenco para sonhar alto”.

PIOR EM CAMPO: Fábio Santos

MELHOR EM CAMPO: Luan (menos pior)

Mariana, você defende fortemente o Atlético no Horto. Por que você acredita que a diretoria insiste em ir para o Gigante da Pampulha?

“Acredito que inicialmente foi por insistência de parte da torcida (não que eu ache que o Sette Câmara escute a torcida). Acredito também que ele pensou em bilheteria, esperava que a torcida comparecesse (já que sempre pediu para levar os jogos de volta para lá), o que não aconteceu e vimos que estão sendo distribuídas quantidades maciças de ingressos em todos os jogos. E, por último, a não diplomacia do Sette com Marcus Salum. Desde o jogo da Copa Libertadores, partida em que o Galo foi multado pela presença do símbolo do América (que é uma regra ao meu ver abusiva da Conmebol), o América mais uma vez se negou a ocultar sua marca (porque isso não aconteceu somente esse ano, vem desde 2014, e Nepomuceno sempre soube contornar a situação), creio que a relação do Galo com o Independência ficou atribulada, o que pesou para voltar a jogar no Mineirão”.

 

Mariana, por que você acha que o estádio estava praticamente vazio? Preço, desconfiança ou dia das mães? A torcida do Galo se tornou uma torcida de desculpas?

“É difícil falar da torcida do Galo, porque ela é o nosso maior patrimônio. Claro que preço influencia, não individualmente, mas se você for levar uma família para o estádio sai muito caro. Mas acho sim que a torcida do Galo virou uma torcida de desculpas. Todos os jogos, sem exceção, estão sendo dados em média 10 mil ingressos e o Galo paga imposto por cabeça nesses ingressos dados. Aí vem um monte de desculpa: ‘O time está ruim’. Pior que 2005 e 2006 não está e enchemos dois estádios no final da segunda divisão. E, para desmontar esse argumento, no primeiro jogo contra o Cerro não tínhamos perdido ainda nenhum jogo da Copa Libertadores e foram dados mais de 10 mil ingressos. ‘Ah, mas era quarta-feira de cinzas!’. Contra o Zamora, o time precisava de uma vitória, que é a hora em que a torcida do Galo SEMPRE apoiou e cada pessoa que comprou o pacote podia levar um acompanhante. Até mendigo entrou no estádio (e achei ótimo, porque tiveram a oportunidade talvez única de ver o Galo jogar), pois quem não tinha acompanhante estava fazendo esse gesto de solidariedade. Contra o Nacional então, que era um jogo de vida ou morte, além de terem sido dados 20 mil ingressos, 10 mil pessoas que compraram não compareceram. Aí vai levar jogo para o Mineirão pra quê? Campeonato Brasileiro, sem transmissão pela TV, Galo em PRIMEIRO, venderam 19 mil ingressos. ‘Ah, mas era dia das mães’. Era dia das mães também no Rio de Janeiro e Flamengo e Chapecoense venderam mais de 45 mil ingressos em um jogo às 11:00 (horário em que as famílias teoricamente se reúnem). É quarta-feira de cinzas, técnico ruim, time que não está bom (já caímos para a segunda divisão com maior público do Brasileirão), presidente ruim (já tivemos Ziza), dia das mães… foi feito o teste no Mineirão, todo mundo pediu, Sette acatou e não deu certo. Agora é voltar para o Horto. Sem contar que estamos invictos na Arena Independência esse ano. Não que estádio ganhe jogo, mas a pressão é outra sim. Aquela velha torcida do Galo infelizmente não comparece. O preço fora do GNV é caro? É um absurdo. Mas temos mais de 100 mil sócios (desses não sei quantos estão ativos). Mas só de sócio enchíamos dois Mineirões. Hoje é terça-feira, para o jogo contra o Santos, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, foram vendidos QUATRO MIL INGRESSOS, e com ingressos a partir de R$10,00. Algo precisa ser feito para atrair de volta o torcedor ao estádio, porque como eu disse, o GALO é a sua torcida.

    No Mineirão não há sinergia. A torcida não interage com o campo, com os jogadores, com os árbitros. Você fala mal e berra ao vento. No Horto, você se sente dentro de campo. Você desestabiliza o jogador adversário que está aquecendo ao lado do campo. Você praticamente grita no ouvido do bandeirinha quando ele marca aquele impedimento claramente errado! Você se sente participando do jogo, acho que isso o Mineirão não tem”.

 

Mariana, o que você achou de não ter havido transmissão pela televisão?

    “Acho que todos os times deveriam ter alternativas e não ficar reféns de uma emissora. Palmeiras optou por essa opção. Foi contra um redutor no contrato imposto pela emissora que tem o direito das transmissões, como punição por ter assinado com o Esporte Interativo. A mesma situação ocorre com Athletico-PR. Acho complicado não ter a transmissão, e acho mais complicado ainda falar sobre isso por ser uma coisa inédita. Mas sou a favor de mais times romperem e fecharem contrato com outras emissoras. Se para isso alguns jogos deixarem de ser transmitidos, tudo bem. Se sem transmissão somente 19 mil compareceram ao jogo no Mineirão, imagina com transmissão. Como o jogo foi em casa e eu pude comparecer, acabei não sendo afetada, mas imagino como foi para quem mora longe e não tem essa opção. Para mim, é desesperador não assistir ao jogo, mas pior ainda é ver uma emissora ter controle absoluto, inclusive impondo horários de jogos que simplesmente são inviáveis somente para ganhar com transmissão. Ah, e sempre tem o radinho…”

 

A palestrina Laíssa Pavani (24 anos, designer gráfica), analisa o alviverde e acredita que o jogo foi de igual para igual: “Sem erros de marcação e com chegadas certeiras ao ataque, o Atlético fez um primeiro tempo jogando de igual para igual com o elenco tão o elenco badalado do Palmeiras, criou mais chances, mas o goleiro Victor não precisou fazer nenhuma grande defesa. Parece que os jogadores do Galo sentiram muito o gol sofrido. Nos primeiros cinco minutos do segundo tempo, o Palmeiras controlou a bola na maior parte do jogo e, com calma, fez a bola chegar em Bruno Henrique, mais uma vez livre, para fazer 2 a 0”, finalizou Laíssa.

PIOR EM CAMPO: Hyoran

MELHOR EM CAMPO: Bruno Henrique e Dudu

 

ONDE ESTÁ O FOCO DO PALMEIRAS, BRASILEIRÃO OU LIBERTADORES?

  “Como em todos os anos, os palmeirenses sempre querem todos os campeonatos, porém, mais que qualquer ano, penso que o foco maior seja a Copa Libertadores, por ser um título internacional e ter um representatividade gigante na história do Palmeiras. Com a Crefisa, estamos revivendo a era Parmalat”.

 

UNIÃO SINISTRA QUE NINGUÉM SEGURA, MANCHA VERDE E GALOUCURA!

“Graças a Deus eu tenho um bom relacionamento com as demais torcidas, o futebol me deu grandes amigos em vários estados, não só com torcidas aliadas, mas no geral e isso se deu muito pelo fato de eu escrever muito sobre futebol, e até por ser mulher e ter começado a frequentar o estádio sozinha. Me deixa muito feliz saber que construí amizades em quase todos os estados e através de uma coisa que eu amo, que é o futebol”.

 

Quero agradecer a colaboração das atleticanas Cris Bastos e Mariana Capachi e da palmeirense Laíssa Pavani. Meninas, muito obrigada pelo tempo reservado e por suas análises.

Então, torcedora, curtiu a participação? Você também pode participar da nossa ARQUIBANCADA FEMININA, basta entrar em contato pelas redes sociais do Fala Galo.

 

Por: Carol Castilho

Revisado: Jéssica Silva

Angel Baldo

Mineiro de nascença, mas Paulista de criação. 30 anos, Administrador e Engenheiro Mecânico. Atualmente residindo na cidade de Uberlândia.

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